Investidores locais falam em cheques maiores no early stage e menos fases de rodada
DOMO.VC — O “inverno” que congela o venture capital brasileiro desde 2022 ainda não tem data para acabar, mas começa a forçar fundos a abandonar a escadinha Série A-D importada dos Estados Unidos e buscar um modelo próprio de fomento.
- Em resumo: gestores defendem cheques robustos logo no início e foco em rentabilidade, não em blitzscaling.
Por que copiar o roteiro americano emperra o crescimento?
O veterano Marcello Gonçalves, sócio da DOMO.VC, lembra que o Brasil quase não tem investidores dispostos a bancar séries C e D — e tampouco possui uma bolsa de tecnologia comparável à Nasdaq. Resultado: “A Série B já é rara; C e D praticamente não existem”, disparou durante painel no Web Summit Rio. Dados do TechCrunch mostram que, enquanto o mundo captou US$ 300 bi em VC no 1º trimestre de 2026, o Brasil levantou US$ 4,5 bi em todo 2025.
“Se tem IA, vale 10 vezes a receita; se não tem, vale 4.” — Marcello Gonçalves, DOMO.VC
O ajuste de rota que já começa a aparecer
Pensando no vácuo de capital de crescimento, novos fundos como a Cloud9 Capital estão adotando cheques maiores em troca de participações relevantes ainda no early stage. A lógica: dar “pista longa” à startup para que ela avance sem depender de rodadas futuras incertas. Frederico Wiesel, da Spectra Investimentos, concorda que o apetite global voltou, mas restrito a negócios AI native — e o Brasil ficou em segundo plano.
Vale a pena mencionar IA no pitch?
Sim, mas apenas se o core do produto realmente usar IA; valuations inflados sem base real tendem a ruir rápido.
O Brasil deve esperar novas mega-rodadas?
No curto prazo, não. Tendência é menos fases e mais foco em margem e recorrência.
O que você acha? O modelo “cheque maior, menos rodadas” pode destravar a próxima primavera do VC no país? Para mais análises, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Web Summit