Golpes por SMS, QR codes falsos e ligações deepfake viraram rotina — e ninguém sente mais esse peso do que quem não cresceu mexendo em telas sensíveis ao toque. A brecha deixou um público imenso, o de pessoas idosas, vulnerável a ataques que combinam engenharia social e tecnologia de ponta.
É justamente aí que entra a ZoraSafe, startup fundada pelas irmãs Catherine Karow e Ellie King Karow. A empresa vai subir ao palco do TechCrunch Disrupt 2025 com a promessa de um aplicativo de segurança pensado do zero para quem se sente perdido na internet. Além de bloquear ameaças, o app quer ensinar, em doses curtas e gamificadas, como reconhecer armadilhas digitais — uma proposta que mescla antivírus, assistente de segurança e curso rápido de alfabetização digital.
Ferramentas que vão além do antivírus tradicional
A primeira versão do ZoraSafe, prevista para chegar às lojas de aplicativos em aproximadamente um mês, inclui:
• Scanner de QR codes: identifica links maliciosos antes que o usuário abra a página.
• Verificação de mensagens e e-mails suspeitos: basta encaminhar o conteúdo para o app, que retorna um diagnóstico de golpe ou legítimo.
• Banco colaborativo de fraudes: quando alguém reporta um novo golpe, o alerta se espalha instantaneamente para toda a comunidade.
• Suporte a ligações suspeitas (futuro recurso): o usuário poderá “convidar” a IA do ZoraSafe para a chamada e descobrir se está lidando com um scam ou com um deepfake de voz, sem gravação dos áudios.
• Microlearning antiphishing: depois de cada detecção, o app abre um chat que explica o que aconteceu e oferece dicas rápidas para reconhecer situações parecidas.
Privacidade, hardware acolhedor e preço de assinatura
Para minimizar o risco de vazamento de dados, 85% do processamento de IA ocorre direto no aparelho; apenas 15% sai para a nuvem, já sem informações pessoais, segundo Ellie. Como a Apple restringe o monitoramento de outras aplicações, a equipe aposta em dois atalhos: um botão “Compartilhar com ZoraSafe” no menu do iOS e um adesivo NFC que pode ser colado na capinha do celular. O toque nesse adesivo abre instantaneamente o app — útil tanto para denunciar um golpe quanto para acionar ajuda em caso de queda.
O serviço custará US$ 12,99 mensais na modalidade individual; planos familiares e corporativos terão valores maiores, ainda não divulgados. No roadmap estão versões para crianças, parcerias com escolas e suporte a novos idiomas, começando pelo espanhol.
Imagem: Getty
Da cibersegurança ao cuidado digital: por que o mercado sênior virou prioridade?
A movimentação da ZoraSafe revela duas tendências fortes. Primeiro, a migração da cibersegurança B2B para soluções de varejo, voltadas a nichos específicos — neste caso, a população acima dos 60 anos, faixa que mais cresce no mundo e que movimenta bilhões em saúde, serviços e, agora, proteção digital.
Segundo, a aposta em IA “on-device” surge como resposta às críticas de privacidade que rondam chatbots e antivírus baseados exclusivamente na nuvem. Se der certo, o modelo pode inspirar apps de finanças, produtividade e até plataformas de conteúdo que buscam equilibrar personalização e segurança de dados.
Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing, o lançamento acende um alerta: existe demanda por educação digital simplificada, seja em blogs, newsletters ou vídeos curtos. Ao mesmo tempo, abre oportunidades de afiliados e parcerias em um segmento praticamente inexplorado — a interseção entre tecnologia assistiva e cibersegurança de consumo. Em resumo, proteger quem tem menos familiaridade com o online não é apenas nobre; é um mercado em franca expansão que pode redefinir prioridades de produto e estratégia nos próximos anos.