Pesquisa brasileira desvenda manobra metabólica que mantém energia mesmo sem açúcar na dieta
Universidade de São Paulo (USP) — Um experimento conduzido em Ribeirão Preto detalhou, pela primeira vez, como o fígado assume o comando da produção de glicose após um mês inteiro de alimentação praticamente só à base de proteína.
- Em resumo: em roedores, a glicemia voltou a ficar estável em jejum graças a uma troca de “central de comando” no fígado.
FoxO1 vira “chefe” da glicose quando o glucagon perde força
Nos primeiros 15 dias sem carboidratos, os pesquisadores notaram queda no açúcar do sangue. Depois, o organismo se reorganizou: o hormônio glucagon perdeu influência, e o fator de transcrição FoxO1 passou a orquestrar a gliconeogênese — produção de glicose a partir de aminoácidos. Como destaca a MIT Technology Review, compreender essas rotas é chave para criar terapias contra diabetes tipo 2.
“O metabolismo é mais flexível do que se imaginava; ele troca de engrenagem para garantir combustível ao cérebro”, apontam os autores no American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism.
Corticosterona entra em cena e mantém açúcar mesmo em jejum
Além das mudanças intra-hepáticas, o estudo identificou que a corticosterona (análogo do cortisol em humanos) sustenta a glicemia durante períodos de jejum. Quando o hormônio foi suprimido, os animais não conseguiram preservar os níveis de açúcar, evidenciando seu papel crucial. Para o leitor, isso sinaliza que dietas extremas podem mexer em eixos hormonais de estresse — algo que ainda carece de testes clínicos seguros.
É seguro seguir uma dieta 100% sem carboidratos?
Faltam ensaios clínicos em humanos; especialistas recomendam acompanhamento médico.
O estudo serve para dietas low carb convencionais?
Ele explora cenário extremo; em low carb moderada, o corpo ainda recebe parte dos açúcares.
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Crédito da imagem: Divulgação / USP