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Por que o diretor da Ahrefs desaconselha contratar um “content engineer” — e o que isso revela sobre o futuro do marketing de conteúdo

4 min de leitura

Parte da comunidade de marketing de conteúdo anda empolgada com uma função recém-criada: o content engineer. A ideia é ter alguém 100% focado em usar inteligência artificial para automatizar textos, padronizar processos e, supostamente, ampliar resultados em escala. Mas Ryan Law, diretor de marketing de conteúdo da Ahrefs — uma das ferramentas de SEO mais respeitadas do mercado — publicou um artigo em que vai na contramão desse entusiasmo.

Para quem vive de blog, AdSense ou programas de afiliados, a discussão não é acadêmica. Ela define onde colocar tempo e dinheiro em 2024: investir em automação desenfreada ou priorizar qualidade humana e experimentação? A análise de Law parte de dados concretos do próprio Ahrefs e questiona se o “engenheiro de conteúdo” resolve os problemas atuais ou apenas cria novas distrações.

O que, afinal, faz um “content engineer”

De acordo com descrições que circulam em empresas como Jasper e AirOps, o content engineer seria um profissional “nativo em IA” com três responsabilidades-chave:

  • Criar sistemas automatizados de produção de conteúdo em larga escala, usando IA generativa e fluxos de automação.
  • Garantir conformidade com guias de marca, requisitos legais e padrões editoriais, atuando como uma camada de quality assurance.
  • Replicar e distribuir o material em vários formatos e canais, personalizando textos a partir de prompts pré-definidos.

Em tese, esse perfil faria a ponte entre estratégia de marketing, SEO técnico e engenharia de prompts — tudo para publicar mais rápido e gastar menos.

Escala perdeu força: a experiência da Ahrefs com 34 mil páginas automatizadas

A Ahrefs é um laboratório vivo de produção em massa. O site já hospedou 2.161 artigos em vários idiomas e, em determinado momento, manteve uma estratégia programática de cerca de 34 mil páginas geradas automaticamente. Resultado? O tráfego orgânico caiu para uma fração do que era no auge.

Law destaca três forças que minam a eficácia da escala hoje:

  1. Indexação cada vez mais difícil: o Google limita rastreamento de páginas repetitivas e penaliza abuso de conteúdo programático.
  2. Cópia instantânea pela concorrência: se é fácil automatizar, todo mundo faz igual, diluindo qualquer vantagem competitiva.
  3. AI Overviews e respostas diretas: com o motor de busca entregando respostas prontas, o retorno econômico de centenas de URLs despenca.

Para o executivo, qualquer tática que possa ser 100% automatizada “está condenada a se tornar quase sem valor”.

Por que o diretor da Ahrefs desaconselha contratar um “content engineer” — e o que isso revela sobre o futuro do marketing de conteúdo - Imagem do artigo original

Imagem: Ryan Law

Qualidade real versus garantia de qualidade

Outro ponto central do argumento: IA elevou o piso da produção textual — qualquer pessoa gera um artigo “ok” em minutos. Mas o teto de criatividade e profundidade continua onde sempre esteve: na cabeça de bons redatores e especialistas.

No cenário atual, muitas empresas usam IA para cortar custos, não para criar formatos inéditos ou pesquisas originais. Contratar um content engineer tenderia a reforçar essa abordagem focada em planilha, não em impacto.

Marketing > engenharia: barreiras técnicas estão desabando

Law observa que modelos como o Google Gemini ou o ChatGPT simplificam a cada atualização a “engenharia de prompt”. APIs se tornaram requisições em texto puro; novas guard rails reduzem erros grotescos automaticamente. Em outras palavras, ser “especialista em IA” é cada vez menos diferencial. Já ser um estrategista de marketing capaz de contar histórias, interpretar dados e identificar oportunidades continua raro.

Além da Automação: o que realmente importa para blogs, afiliados e marcas?

A discussão vai muito além de um cargo. Para quem depende de tráfego orgânico, três lições emergem:

  • Experiência única vale mais que volume: pesquisas proprietárias, análises de dados originais e narrativas autênticas são mais difíceis de copiar e mais resistentes a mudanças de algoritmo.
  • IA como coautora, não como fábrica: usar modelos generativos para acelerar rascunhos ou testar ângulos é valioso, mas o toque humano na curadoria e no storytelling é o que cria diferenciação real.
  • Habilidades de marketing são duráveis: entender jornada do usuário, funil de conversão e monetização em múltiplas plataformas é competência que não caduca a cada nova API.

A conclusão de Ryan Law ecoa para qualquer produtor de conteúdo: contratar alguém exclusivamente para “escalar com IA” pode resolver o problema errado. Num mercado saturado de textos genéricos, ganha quem oferece profundidade, opinião e experimentação constante — com ou sem um “content engineer” no organograma.

Guilherme Emanuel, especialista em SEO, tráfego orgânico e Inteligência Artificial, fundador da Escola Algoritmo X

Guilherme Emanuel

Guilherme Emanuel, 25 anos, é especialista em Google AdSense e fundador da Escola Algoritmo X. À frente de uma fábrica digital com mais de 130 sites aprovados e vendidos no AdSense, domina o processo real de aprovação e de escala de lucros em dólar. É também especialista em tráfego orgânico e SEO, e cria sites de serviço e landing pages de alta conversão para prestadores de serviço de qualquer área. Atua desde 2019 e, pelo seu método proprietário e mentorias 100% ao vivo, já ajudou mais de 300 alunos a construir seus próprios ativos digitais.