Você já imaginou quanto tráfego seu site perde ao ficar fora do “Top 10” do Google? Um estudo inédito da Ahrefs, baseado em bilhões de registros do Google Search Console, cravou um número que faz qualquer estrategista de conteúdo repensar sua rotina: 96,98 % dos cliques em desktop e 97,56 % em mobile acontecem nos dez primeiros resultados.
Se você trabalha com WordPress, vive de AdSense, é afiliado da Amazon ou gerencia campanhas de marketing, esses números sinalizam algo claro: visibilidade real começa e termina quase sempre na primeira página. A pesquisa, conduzida em agosto de 2025 e analisando dois anos de histórico, vai além da curiosidade estatística — ela coloca em xeque práticas de SEO que apostam em “rankear em qualquer lugar”.
Cliques: primeira página ou nada feito
No recorte de agosto de 2025, a Ahrefs detectou que apenas 3,03 % dos cliques em desktop ocorreram em posições além do Top 10. No mobile, a fatia é ainda mais magra: 2,43 %. Em todo o período analisado (24 meses), o percentual de cliques fora da primeira página nunca ultrapassou 4,37 %.
Em termos práticos, isso significa que, estatisticamente, dez links disputam quase todo o tráfego orgânico. Quem aparece na 11ª posição em diante compete, somados, por menos de 5 % dos cliques. O gráfico histórico apresentado pela Ahrefs mostra uma consistência impressionante: o share do Top 10 jamais caiu abaixo de 95,5 %.
Impressões: bots inflando as páginas profundas
Se a chance de clique despenca após o décimo resultado, as impressões contam uma história levemente diferente — mas com um plot twist. Em desktop, apenas 54,29 % das impressões vêm do Top 10; já em mobile, o número sobe para 76 %. Curiosamente, 28,93 % das impressões desktop ocorrem além da posição 30.
A própria Ahrefs sugere uma explicação: boa parte dessas impressões nas profundezas do ranking provavelmente vem de bots e scrapers, não de humanos. A suspeita ganha força ao observar que cliques em posições tão baixas são praticamente nulos, enquanto as impressões aumentam. O fenômeno coincide com a recente decisão do Google de aposentar o parâmetro &num=100, que permitia solicitar até 100 resultados por página e era largamente usado por ferramentas de scraping.
Estabilidade que impressiona
Outro dado relevante: a dominância do Top 10 não é um pico isolado. Ao longo de 24 meses, nenhuma métrica caiu ou subiu de forma drástica. A curva mantém-se praticamente plana, reforçando a tese de que o comportamento dos usuários — clicar majoritariamente nos primeiros resultados — é estrutural e não sazonal.
Imagem: Ryan Law
SEO de verdade: Por que brigar pelo 11º lugar é jogo perdido (e o que fazer a respeito)
Os números falam alto: otimizar “um pouquinho” para buscar a segunda página perdeu sentido. Seja você publisher independente ou enterprise, a disputa relevante acontece entre as posições 1 e 10; o resto é quase equivalente a não existir. Em um cenário onde cliques são finitos e o share de topo não cede espaço, estratégias difusas (publicar toneladas de artigos medianos) tendem a entregar ROI decrescente.
Para quem vive de anúncios, isso implica priorizar conteúdos com potencial real de topar a primeira página, mesmo que em menor volume. Ferramentas de pesquisa de palavras-chave, análise de intenção de busca e otimização on-page precisam ser tratadas como etapas obrigatórias, não opcionais. Já para negócios que dependem de afiliados, a lição é clara: diversificar canais (e-mail, redes sociais, vídeo) torna-se imperativo para não ficar à mercê da volatilidade do SERP.
Finalmente, o aumento suspeito de impressões originadas por bots sugere que métricas de impressão isoladas podem estar infladas. Quem monitora desempenho deve redobrar o cuidado ao interpretar esses números, dando mais peso a cliques, sessões e conversões reais. Em outras palavras, vale lembrar que nem toda impressão vale ouro — mas cada clique conquistado no Top 10, sim.
No fim das contas, o estudo da Ahrefs apenas cristaliza o que a prática já indicava: para existir no Google, o lugar é a primeira página. Todo o resto vira estatística de rodapé.