Nova diretriz dos EUA coloca decisões científicas nas mãos de indicados políticos — e o Brasil sente o reflexo
Escritório de Administração e Orçamento dos EUA (OMB) — recentemente, o órgão transformou uma ordem de Donald Trump em regras já válidas que concedem poder total a indicados políticos para aprovar, vetar ou cortar verbas de pesquisa a qualquer momento, sem revisão por pares.
- Em resumo: a ciência americana passa a seguir interesses de governo, afetando bolsas, colaborações estrangeiras e pesquisadores brasileiros.
Canetada põe em xeque a revisão por pares e a liberdade acadêmica
A mudança, detalhada em um documento de 412 páginas, torna opcional o crivo técnico que tradicionalmente garante qualidade a projetos financiados. Na prática, um único nomeado pela Casa Branca pode suspender estudos sobre temas como diversidade ou clima sem justificar critérios científicos. Segundo análise da MIT Technology Review, o modelo ameaça décadas de liderança dos EUA em inovação.
“Um veículo para o controle total da ciência em todos os estágios de financiamento”, alertou a ex-gestora do NIH, Elizabeth Ginexi.
Por que pesquisadores brasileiros precisam se preocupar agora
Mais de 9 mil brasileiros fazem doutorado ou pós-doutorado nos EUA com bolsas federais. As novas regras bloqueiam parcerias com instituições chinesas e desestimulam projetos com estrangeiros — ainda que radicados no país. Qualquer estudo “não alinhado aos interesses nacionais” pode perder dinheiro de um dia para o outro. Para quem depende de editais como NIH, NSF ou NASA, a instabilidade pode significar atrasos de carreira e migração forçada para outros centros, como União Europeia ou Canadá.
Brasileiros com bolsas americanas correm risco imediato?
Sim. Projetos que incluam colaborações externas podem ser revisados ou cortados sem aviso.
Há alternativa para continuar pesquisando no exterior?
União Europeia e Canadá mantêm programas abertos a estrangeiros e valorizam revisão por pares.
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Crédito da imagem: Divulgação / Sébastien Thibault