Quando você faz uma pergunta ao ChatGPT, o modelo costuma citar a origem das informações—e isso não acontece por acaso. Um levantamento da Ahrefs analisou 9,6 milhões de consultas e revelou quais domínios aparecem com mais frequência nas respostas. Para quem vive de tráfego orgânico, monetização via AdSense ou marketing de afiliados, entender esse “mapa de citações” é descobrir onde a inteligência artificial está buscando autoridade.
A pesquisa mostra que Reddit, Wikipedia e Amazon dominam o pódio tanto nos Estados Unidos quanto no mundo inteiro, mas há nuances interessantes quando comparamos mercados. A seguir, os números completos, a metodologia adotada e, por fim, uma análise do que tudo isso significa para quem produz conteúdo ou gerencia marcas online.
Como o estudo foi feito
A Ahrefs usou o Brand Radar, ferramenta que monitora menções em respostas de IA, para vasculhar 9,6 milhões de prompts feitos ao ChatGPT. Cada vez que o chatbot citava uma fonte, o domínio era registrado e contabilizado. O resultado foi um ranking com as 100 URLs mais mencionadas, separado por volume de consultas nos Estados Unidos e no cenário global.
Top 10 nos Estados Unidos: domínio absoluto de fóruns e mídia tradicional
1. Reddit (847.338 menções)
2. Wikipedia (431.710)
3. Amazon (97.457)
4. Forbes (48.052)
5. Business Insider (37.712)
6. The Spruce (36.195)
7. New York Post (29.927)
8. Better Homes & Gardens (28.897)
9. Wired (28.611)
10. People (28.515)
O padrão é claro: o ChatGPT recorre a comunidades (Reddit), enciclopédias abertas (Wikipedia) e veículos jornalísticos consolidados. Até mesmo o e-commerce figura no ranking, evidenciando o papel da Amazon como base de dados para especificações de produtos.
Top 10 global: Wikipedia em vários idiomas e TechRadar ganham espaço
1. Reddit (4.389.496 menções)
2. Wikipedia em inglês (2.715.125)
3. Wikipedia em espanhol (364.361)
4. Wikipedia em alemão (252.761)
5. Amazon (214.993)
6. TechRadar (210.698)
7. The Sun, versão britânica (201.622)
8. Times of India (198.100)
9. Wikipedia em francês (191.494)
10. Forbes (184.479)
Fora dos EUA, o ChatGPT diversifica seu repertório para atender usuários multilíngues. As diferentes edições da Wikipedia ocupam três das dez primeiras posições, e portais especializados como TechRadar entram no radar global.
Além do Top 10: quem mais aparece?
O ranking completo inclui veículos de nicho, bases científicas (PubMed), dicionários online e portais de comparação de preços. Entre eles:
Imagem: Si Quan g
- Saúde: Verywell Health, WebMD, Mayo Clinic
- Finanças: Investopedia, NerdWallet, Bankrate
- Automóveis: MotorTrend, Car and Driver, Edmunds
- Casa e decoração: The Spruce, Architectural Digest, This Old House
A presença desses domínios indica que o ChatGPT valoriza fontes que oferecem dados estruturados, atualizações frequentes e forte reputação em seus respectivos setores.
Reputação como Moeda: o que esse ranking revela sobre SEO na era da IA?
Quando um chatbot com milhões de usuários aponta repetidamente para os mesmos domínios, ele reforça um loop de autoridade: as fontes ganham visibilidade, atraem mais links e consolidam ainda mais sua posição. Para creators e profissionais de marketing, a lição é dupla:
1. Conteúdo confiável pesa mais que truques de otimização. Sites citados no topo investem pesado em revisão editorial, atualizações constantes e especialização temática. A IA “enxerga” esses sinais de qualidade e tende a reproduzi-los.
2. Tráfego indireto pode virar tráfego direto. Mesmo se o ChatGPT não fornecer um link clicável, o simples fato de mencionar uma marca aumenta lembrança e buscas de navegação. Ter seu domínio citado em respostas de IA se torna, portanto, um novo KPI de brand awareness.
Para quem mantém blogs em WordPress, lojas afiliadas ou portais de nicho, a estratégia não muda radicalmente, mas ganha um novo termômetro. Monitorar onde — e se — o seu site aparece nas respostas de IA passa a ser tão relevante quanto acompanhar posição no Google. Em um cenário em que grandes modelos de linguagem filtram a web para o usuário, ser reconhecido como fonte fidedigna é mais do que prestígio: é sobrevivência.
No fim das contas, o ranking da Ahrefs não é apenas uma lista de menções; é um aviso de que a disputa por autoridade digital saiu das SERPs tradicionais e entrou nas conversas com a inteligência artificial. E, como qualquer mudança de paradigma, quem entender primeiro essa dinâmica terá vantagem no jogo do tráfego — agora mediado por chatbots.