Se você usa a busca do Google para atrair visitantes ou já se perguntou como os chatbots “decidem” quais links citar, aqui vai um dado intrigante: apenas 10% das fontes que o ChatGPT exibe para termos curtos — aqueles clássicos head terms do SEO — batem com os dez primeiros resultados orgânicos do Google. Isso contrasta fortemente com a ferramenta Perplexity, cuja coincidência chega a 65%.
O número vem de uma série de experimentos conduzidos pela equipe da Ahrefs. O objetivo era testar se, agora que sabemos que a OpenAI recorre a índices de busca (incluindo o do próprio Google) via provedores terceirizados, haveria um espelhamento fiel dos resultados. A resposta curta: não. E isso muda a forma como criadores, profissionais de marketing e publishers precisam pensar em visibilidade tanto na SERP (página de resultados do Google) quanto dentro das respostas de IA.
Como o teste foi montado
A Ahrefs analisou 3.311 palavras-chave de cauda curta, cobrindo quatro tipos de intenção de busca: informacional, comercial, transacional e navegacional. Cada termo foi pesquisado em três lugares:
- ChatGPT
- Perplexity
- Top 100 resultados do Google (SERP)
A seguir, a equipe mediu quanto as URLs citadas pelas IAs coincidiam com os domínios e páginas que o Google ranqueia nos dez primeiros lugares.
O que apareceu (e o que não apareceu) no ChatGPT
Para cauda curta, o ChatGPT só coincidiu com 10% das páginas exatas do Top 10 do Google. Quando o recorte foi por domínio, a sobreposição aumentou para 31,8%, sugerindo que o chatbot até recorre aos mesmos sites, mas seleciona URLs diferentes dentro deles.
Ou seja, mesmo quando a OpenAI usa o índice do Google como fonte bruta, há uma etapa de reprocessamento interno que “embaralha” o ranking. O resultado final é uma lista que lembra o Google de longe, mas dificilmente espelha suas posições.
Perplexity: o espelho mais fiel da SERP
Perplexity apresentou comportamento oposto: 65% de suas citações para head terms eram exatamente as mesmas páginas que o Google posiciona no Top 10. O achado confirma testes anteriores da Ahrefs com consultas long-tail, nos quais Perplexity já tinha se mostrado uma espécie de “Google com citação explícita”.
Fan-out queries: onde a divergência explode
Quando os pesquisadores aplicaram fan-out queries (consultas intermediárias que a IA usa nos bastidores), a coincidência entre ChatGPT e Google despencou para 6,82%. Isso indica que, além do ranking clássico, há filtros adicionais — possivelmente modelos de relevância próprios — que decidem o que vai ou não aparecer para o usuário.
Imagem: Louise Linehan
Por que a intenção importa
A maior sobreposição em termos navegacionais, comerciais e transacionais faz sentido: nesses universos, o conjunto de sites “possíveis” é menor e menos volátil. Já em buscas informacionais, onde dezenas de milhares de páginas podem ser relevantes, a discrepância tende a crescer.
Além do espelho do Google: como repensar sua estratégia de conteúdo diante da IA
Se antes bastava otimizar um único artigo para ficar na frente do Google, os dados sugerem que, no ecossistema de IA, clusters de conteúdo ganham peso extra. Como o ChatGPT prefere domínios já reconhecidos e pode escolher qualquer URL interna, ter diversas páginas cobrindo nuances do mesmo tópico aumenta suas chances de ser citado.
Essa “re-rankeação” própria do ChatGPT também dilui a ideia de que entender apenas a consulta fan-out garante visibilidade. Mesmo quem rankeia bem para a palavra exata que a IA usa nos bastidores pode ficar de fora se não tiver profundidade temática ou sinais adicionais de autoridade.
Para profissionais de marketing e afiliados, o recado é direto: mensurar performance só na SERP já não basta. Monitorar citações em chatbots (ferramentas como Brand Radar, da própria Ahrefs, começam a fazer isso) torna-se obrigatório para mapear lacunas. Quanto ao futuro, é plausível imaginar um cenário em que algoritmos de IA e motores de busca tradicionais coexistam, cada qual aplicando critérios próprios. Ganha quem produzir conteúdo robusto o bastante para aparecer em ambos — mesmo que em posições diferentes.
No fim das contas, a descoberta de que a OpenAI raspa o Google, mas reorganiza tudo em seguida, reforça a máxima: autoridade de domínio, profundidade de tópicos e diversidade de formatos continuam sendo o tripé da visibilidade — seja na SERP, seja na resposta de um chatbot.