Se você produz conteúdo para a internet ou vive de tráfego orgânico, entender como o Google seleciona suas fontes nunca foi tão crucial. A ferramenta “AI Mode”, aquela caixa de respostas geradas por IA que aparece no topo de algumas buscas, virou o novo campo de batalha por visibilidade. A Ahrefs analisou 5,5 milhões de consultas nesse modo e revelou quais domínios aparecem com mais frequência. O resultado expõe não só os campeões de autoridade, mas também pistas valiosas sobre o futuro do SEO e da criação de conteúdo.
Neste artigo você verá os dados brutos — quem está no topo, quem surpreendeu e quem ficou de fora — e, principalmente, uma análise do que isso significa para publishers, afiliados e profissionais de marketing que dependem do buscador para gerar receita.
Os líderes absolutos: Wikipedia, YouTube e… o próprio Google
O ranking deixou pouco espaço para dúvidas sobre quem domina a confiança do algoritmo:
- Wikipedia foi citada impressionantes 1.135.007 vezes.
- YouTube aparece em 961.938 respostas.
- Blog oficial do Google ocupa o terceiro lugar, com 601.835 menções.
- Reddit (588.596) e Google.com (568.774) completam o top 5.
O fato de três das cinco primeiras posições pertencerem ao próprio ecossistema Google (YouTube, blog.google e google.com) sugere um viés de autopromoção ainda forte nessa fase do AI Mode.
Conteúdo gerado pelo usuário ganha destaque
Plataformas baseadas em UGC (User-Generated Content) aparecem em massa. Além de Reddit e YouTube, estão na lista Quora, Instagram, TikTok, Yelp, TripAdvisor e LinkedIn. Esses domínios somam milhões de citações, indicando que a IA do Google vê valor na “sabedoria da multidão”, mesmo sabendo que moderação e confiabilidade variam muito entre essas comunidades.
Saúde, e-commerce e mídias tradicionais também marcam presença
No recorte de saúde, sites como Cleveland Clinic, Mayo Clinic e WebMD figuram entre os 25 primeiros, reforçando a política de priorizar fontes médicas com alta autoridade. Já no varejo, Amazon, Walmart e Target aparecem antes mesmo de portais jornalísticos de grande porte, sinal de que intenção de compra influencia a curadoria.
Entre os veículos de mídia, The New York Times, Business Insider e CNN garantiram lugar, mas ficaram atrás de várias bases de dados acadêmicas e dicionários, como NCBI, ScienceDirect e Merriam-Webster.
Metodologia: de onde vêm esses números
A Ahrefs usou o Brand Radar, cruzando 5,5 milhões de queries em AI Mode e catalogando cada domínio mencionado. O Google não fornece API oficial para esse recurso, então ferramentas terceiras são hoje a única forma de monitorar presença nesse novo espaço de busca.
Imagem: Si Quan g
Além da lista: o que esse ranking diz sobre SEO e autoridade em 2024?
1. Autoridade de domínio segue decisiva. Wikipedia e YouTube lideram porque combinam conteúdo vasto, links externos e histórico de confiança. Quem disputa nichos específicos deve focar em depth content (conteúdo profundo) para competir por features da IA.
2. O Google confia em si mesmo. A autopreferência indica que, pelo menos por enquanto, o buscador não hesita em promover seus próprios produtos. Para criadores, isso significa que tópicos cobertos nos blogs do Google ou no YouTube tendem a ter barreiras extras de entrada.
3. UGC não é sinônimo de falta de qualidade. A presença massiva de Reddit e Quora mostra que discussões comunitárias podem complementar — ou superar — fontes tradicionais quando a pergunta envolve experiências, reviews e recomendações pessoais.
4. Saúde e finanças exigem credibilidade reforçada. Sites médicos institucionais e bancos de dados científicos aparecem acima de blogs populares. Quem produz nesse segmento deverá investir ainda mais em autoria qualificada e citações de estudos revisados por pares.
5. Monitorar menções passa a ser parte da estratégia. Sem dados oficiais abertos, ferramentas como a usada pela Ahrefs viram quase obrigatórias para entender se — e como — seu site está sendo puxado pelo AI Mode. Ignorar esse painel é correr o risco de perder tráfego antes de perceber a queda.
Em resumo, o ranking dos 100 domínios mais citados funciona como um termômetro das fontes que a IA do Google considera mais confiáveis hoje. Para quem vive de conteúdo, o recado é claro: autoridade, profundidade e sinais de qualidade continuam valendo ouro, mas agora dentro de uma vitrine algorítmica que mescla enciclopédias, redes sociais e os próprios produtos do Google.