Se você usa o Xbox Game Pass para jogar, criar conteúdo ou simplesmente monetizar gameplays no YouTube, prepare-se para recalcular o orçamento. A Microsoft não apenas subiu o valor da assinatura para até R$ 119,90 como também mexeu nas regras de conversão de cartões‐presente, tempo pré-pago e no próprio Microsoft Rewards — o programa de pontos que muita gente usava para baratear (ou até zerar) a fatura mensal.
As mudanças pegam em cheio três frentes: preço, conversões de planos e a forma de ganhar e gastar pontos. Para quem trabalha com reviews de jogos, faz lives ou administra blogs sobre o universo gamer, o impacto vai muito além do lazer: afeta planejamento de pauta, custos de operação e até a audiência que pode ficar menos disposta a aderir a novos títulos.
Quanto custa agora jogar pelo Game Pass
O serviço passa a ter quatro níveis no Brasil, já em vigor:
Game Pass Essential: R$ 43,90/mês
Game Pass Premium: R$ 59,90/mês
PC Game Pass: R$ 69,90/mês
Game Pass Ultimate: R$ 119,90/mês
Quem já era assinante foi migrado automaticamente:
- Core (R$ 34,99) virou Essential (R$ 43,90).
- Standard (R$ 44,99) virou Premium (R$ 59,90).
- Ultimate antigo continua Ultimate, mas salta de R$ 59,99 para R$ 119,90.
- PC Game Pass sobe de R$ 35,99 para R$ 69,90.
Gift cards continuam valendo, porém com teto de acúmulo
Os tradicionais códigos de R$ 60 para Game Pass Ultimate seguem sendo aceitos, inclusive aqueles vendidos por varejistas digitais. Nada impede assinar um mês por esse valor ou três meses por R$ 179,99. O ponto de atenção é o limite: só é possível empilhar até 36 meses de assinatura em uma mesma conta.
Conversão de planos: o tempo encolheu
Quem faz upgrade de Essential, Premium ou PC Game Pass para Ultimate precisa olhar a nova tabela. Em todos os casos, o tempo convertido diminuiu:
- Essential → Ultimate: cada 90 dias viram 36 dias (40%).
- PC Game Pass → Ultimate: 90 dias viram 59 dias (65%).
- Premium → Ultimate: 90 dias viram 50 dias (55%).
- EA Play → Ultimate: 90 dias viram 18 dias (20%).
Para conversões em direção ao Premium, vale uma proporção fixa de 3 para 2 (90 dias viram 60 dias), limitada a 13 meses adicionais.
Imagem: Internet
Microsoft Rewards: menos pontos, mais barreiras
Antes era possível trocar pontos diretamente por meses de Game Pass; agora só dá para resgatar cartões‐presente do Xbox, o que reduz o valor percebido na prática. Além disso, há novos tetos anuais:
- Essential: até 25 000 pontos (≈ R$ 150).
- Premium: até 50 000 pontos (≈ R$ 300).
- Ultimate: até 100 000 pontos (≈ R$ 600) e acúmulo de pontos 4× mais rápido.
O Ultimate também passou a dar até 40 pontos por compra e 10% extra em DLCs e jogos selecionados, numa tentativa de justificar o preço turbinado.
Assinatura turbinada ou dor no bolso? O que a nova tabela do Game Pass revela
Para o usuário comum, o salto de R$ 59,99 para R$ 119,90 no Ultimate é agressivo e coloca o serviço no mesmo patamar de concorrentes de streaming de vídeo premium. Para quem produz conteúdo, o custo extra pode virar gasto fixo semelhante ao de um software de edição profissional.
Ao limitar a conversão de pontos e reduzir a proporção de upgrade, a Microsoft fechou brechas que muitos jogadores usavam para manter a assinatura quase gratuita. Na prática, o Ultimate passa a ser um “clube VIP”: ganha mais quem já paga mais, enquanto os demais precisam gastar mais tempo ou dinheiro para chegar lá.
No curto prazo, a estratégia pode elevar a receita média por usuário, mas há o risco de churn — cancelamentos em massa — se a percepção de valor não acompanhar. O movimento também sinaliza uma tendência de mercado: serviços por assinatura, antes baratos para ganhar base, agora buscam rentabilidade, transferindo a conta para o consumidor.
Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing que dependem do ecossistema Xbox, a lição é clara: diversificar fontes de jogo e renda nunca foi tão urgente. Afinal, a próxima onda de reajustes — seja em games, software ou streaming — pode estar logo ali.