Silenciar um grupo no WhatsApp sempre foi o último recurso de quem precisava de paz em meio a mensagens incessantes. Mas essa tranquilidade pode estar com os dias contados. Versões beta recentes do aplicativo revelaram a chegada da menção “@todos”, capaz de disparar notificações para cada integrante de um chat — mesmo aqueles que optaram por silenciá-lo.
Para quem usa grupos como canal de suporte ao cliente, coordenação de equipes ou divulgação de conteúdo, a novidade promete ampliar o alcance imediato de recados urgentes. Por outro lado, o recurso levanta questões sobre a fronteira entre comunicação eficiente e invasão de sossego, especialmente para quem já lida com sobrecarga informativa.
Como funciona a nova menção “@todos”
O mecanismo é direto. Ao digitar “@” na caixa de texto de um grupo, o WhatsApp exibe a lista de participantes e, agora, um item adicional rotulado como “todos”. Selecioná-lo faz com que a mensagem acione notificações push em todos os aparelhos — mesmo em grupos marcados como silenciados.
Hoje, o aplicativo só interrompe o modo silencioso quando alguém é mencionado individualmente. A menção coletiva muda essa lógica, equiparando-se ao comportamento já presente no Facebook, plataforma irmã dentro do ecossistema Meta.
Quem poderá usar e quando isso chega ao público
Testadores identificaram a funcionalidade nas versões beta 2.25.26.3 (Android) e 25.26.10.70 (iOS). Até o momento, qualquer membro do grupo consegue acionar “@todos”. Entretanto, o WABetaInfo — site que encontrou o recurso — alerta que a Meta pode alterar essa regra antes do lançamento oficial, restringindo a função a administradores ou impondo limites de frequência.
A empresa não divulgou cronograma. Ainda assim, o fato de a novidade aparecer simultaneamente nos dois sistemas operacionais indica fase avançada de desenvolvimento, normalmente o passo anterior à distribuição estável.
Meta repete estratégia de reciclar recursos internos
Story, canais, chatbots de IA: a lista de funcionalidades transportadas entre as plataformas do conglomerado cresceu bastante nos últimos anos. A menção geral é mais um exemplo dessa sinergia. No Facebook, o recurso segue regras rígidas: em grupos pequenos, todos podem usá-lo; em comunidades gigantes — cerca de 200 mil membros — ele simplesmente não existe. Também há opção de desativar a tag nas configurações de notificação.
Imagem: Internet
É provável que parte dessas restrições migre para o WhatsApp, evitando que grupos de centenas de participantes se transformem numa série de pings constantes. Ainda assim, a ferramenta reduz de forma drástica a barreira técnica para disparar avisos em massa.
Silêncio em xeque: o equilíbrio entre alcance e privacidade
A pergunta central é quem ganha e quem perde com a chegada do “@todos”. Pequenos negócios que usam WhatsApp como principal ponto de contato enxergam na novidade um canal oficial para alertas de entrega, mudanças de horário ou promoções relâmpago — sem depender de listas de transmissão. Equipes distribuídas, especialmente freelancers e criadores de conteúdo, também podem evitar ruídos em tarefas críticas.
O lado B aparece na forma de “spam social”. A menção coletiva cria incentivo para uso indiscriminado, corroendo a percepção de controle que o usuário conquistou ao silenciar um grupo. Caso a Meta não limite o número de vezes que o recurso pode ser acionado — ou não restrinja seu uso a administradores — tendemos a ver uma onda inicial de abusos, seguida de ajustes de privacidade por parte dos usuários, como sair de grupos ou bloquear notificações ao nível do sistema.
Do ponto de vista de marketing digital, o “@todos” mistura oportunidade e risco. Ele garante taxa de abertura próxima a 100%, mas, se for utilizado sem critério, pode gerar penalizações informais: perda de confiança, bloqueios e até denúncias de spam. O desafio, portanto, será estabelecer etiqueta clara para quando e por quem o recurso deve ser disparado.
No fim das contas, a menção geral transita entre “ferramenta de emergência” e “megafone inconveniente”. O impacto real dependerá das salvaguardas que o WhatsApp incorporar antes do lançamento — e, principalmente, da disciplina dos usuários em respeitar o espaço alheio.