Você já percebeu que, cada vez mais, as respostas que antes vinham de um link no Google agora chegam diretamente de um ChatGPT, Claude ou Perplexity? Para quem depende de audiência – seja no blog em WordPress, em projetos de afiliados ou em campanhas de AdSense – esse movimento tem um nome: visibilidade em LLMs.
Em outras palavras, não basta rankear bem na SERP tradicional; é preciso aparecer nas citações e sugestões que os grandes modelos de linguagem (Large Language Models) entregam ao usuário. Se a sua marca some desses resumos, você fica invisível para uma fatia crescente do público – justamente a que prefere soluções prontas em vez de cliques.
O tema ganhou força depois que a Ahrefs divulgou dados mostrando que visitantes vindos de respostas de IA convertem até 23 vezes mais do que o tráfego orgânico convencional. Como chegar lá? A seguir destrinchamos os fatos, as táticas recomendadas e, no final, analisamos o que realmente muda no jogo do SEO.
O que significa “visibilidade em LLMs”
Visibilidade em LLMs é a capacidade de ser citado ou referenciado por modelos como ChatGPT, Claude, Perplexity e pelas próprias experiências de IA generativa do Google (AI Overviews ou o antigo “AI Mode”). A métrica não mede cliques, mas menções: seu nome ou URL precisa aparecer nas fontes que o modelo exibe ao justificar a resposta.
Embora parte dos usuários ainda clique nesses links, muitos absorvem a informação ali mesmo. A menção vira branding, autoridade e – em alguns casos – gatilho para busca posterior, mesmo que o Google Analytics registre como “tráfego orgânico” comum.
Por que isso importa agora
A pesquisa da SparkToro mostrou que 20% dos norte-americanos já usam ferramentas de IA pelo menos dez vezes ao mês, e 40% recorrem a elas mensalmente. Paralelamente, 95% continuam a usar buscadores tradicionais. Ou seja, não se trata de abandonar SEO, mas de ampliar o alcance para onde o público também está buscando respostas.
Estudos da Ahrefs e de outras agências apontam correlação direta entre boa posição no Google e chance de citação em respostas de IA. Ainda assim, há casos em que páginas “escondidas” na segunda ou terceira página do Google passam a ser selecionadas pelo modelo, graças a técnicas de expansão de consulta (Query Fan-Out) usadas pelo Gemini – um lembrete de que LLMs podem enxergar além do topo da SERP.
Táticas recomendadas pela Ahrefs para ganhar espaço
Fortaleça suas menções de marca
A análise de 75 mil domínios revelou que a quantidade de menções contextuais à marca é o fator mais correlacionado com aparições nos AI Overviews. Para isso, concentre esforços em:
- Sites de conteúdo gerado por usuário (Reddit, Quora);
- Portais de reviews (G2, CNET);
- YouTube e outros canais de vídeo.
Foque nos tipos de página que a IA ama
Entre 35 mil sites avaliados, LLMs preferiram citar:
- Posts de blog e guias completos;
- Conteúdo de comparação (“melhores”, “vs”, “top”);
- Páginas institucionais centrais (sobre, produto, contato);
- Pesquisas originais, dados e white papers (PDFs inclusive);
- Vídeos.
Otimize o texto para consumo rápido da IA
Imagem: Si Quan g
- BLUF (Bottom Line Up Front): entregue o ponto principal logo no início.
- Frases declarativas e seguras, evitando linguagem vaga.
- Sentenças curtas e claras, facilitando parsing.
- Riqueza de entidades: mencione produtos, conceitos e sinônimos relacionados.
- Reforços de contexto ao longo de textos longos.
Corrija URLs “fantasma” que a IA inventa
Nos testes, assistentes de IA enviaram usuários para páginas 404 quase três vezes mais do que o Google. Ferramentas de Web Analytics podem listar esses endereços inexistentes; basta criar redirecionamentos 301 para conteúdos reais.
Não dependa de JavaScript para o essencial
Grande parte dos crawlers de IA ainda não renderiza JS. Se as seções críticas do seu site dependem disso, elas podem ficar fora do radar dos modelos.
Evite a tentação de “spamear” conteúdo gerado por IA
Mesmo que criar centenas de posts custe menos de US$ 100, o efeito pode ser nulo ou negativo: o Google já reconhece spam e os LLMs tendem a seguir o mesmo caminho, além de não gerar confiança no usuário final.
Além do Hype: como a visibilidade em LLMs redefine o jogo do SEO
Se há uma conclusão cristalina, é que LLM Visibility não substitui o velho SEO – na verdade, o complementa. Os modelos precisam de fontes confiáveis, e grande parte dessas fontes vem justamente das páginas que já performam bem no buscador. Em vez de “ou”, a lógica é “e”.
Para profissionais de marketing, o impacto imediato é duplo: primeiro, o funil fica mais curto, já que a IA devolve respostas prontas e obriga a marca a conquistar a atenção no exato momento da consulta. Segundo, a mensuração fica turva – conversões atribuídas ao “orgânico” podem ter sido influenciadas por uma citação no ChatGPT. Isso exige adaptar relatórios e KPIs.
No médio prazo, a tendência é que RAG (retrieval-augmented generation) se consolide. Isso significa que a qualidade do seu conteúdo, a clareza de entidade e os backlinks continuam sendo moeda forte. O diferencial será a capacidade de distribuir menções em múltiplos formatos e domínios, priorizando confiabilidade. Em outras palavras, o bom e velho “construa uma marca forte” ganhou uma camada extra: certifique-se de que a IA conhece, confia e cita essa marca.
Para quem vive de blogs, afiliados ou AdSense, o recado é claro: enquanto o tráfego de busca ainda paga as contas, conquistar visibilidade em LLMs passou a ser seguro de vida para o futuro próximo. Quem alinhar técnica de SEO tradicional com estratégias de entidade e distribuição de menções terá vantagem competitiva quando a próxima atualização de algoritmo – humana ou de IA – chegar.