Imagine checar notificações, responder mensagens ou receber direções sem tirar o celular do bolso — e sem o volume chamativo de um headset de realidade mista. É exatamente esse salto que a Meta deixou escapar antes da hora em um vídeo não listado no YouTube, removido poucos minutos depois. O material mostrou o Ray-Ban Display, primeiro óculos inteligente da empresa a incluir uma tela embutida, além de um segundo modelo esportivo em parceria com a Oakley.
O vazamento chega em um momento crucial: Apple acaba de lançar o Vision Pro, Samsung sinaliza seu próprio dispositivo XR para 2026 e a corrida pelos “computadores de rosto” ganha novos capítulos a cada semana. O que diferencia o protótipo da Meta é a aposta em um formato discreto, algo próximo de um acessório de moda tradicional, mas com funcionalidades que lembram um smartwatch elevado ao nível dos olhos.
Ray-Ban Display: tela monocular na lente direita
Segundo as imagens divulgadas pelo site UploadVR, o display fica posicionado na lente direita e funciona como um monocular. A proposta é projetar pequenas notificações, rotas de navegação e respostas geradas pela Meta AI diretamente no campo de visão do usuário. Não se trata de um visor imersivo como o do Vision Pro; a experiência mira a conveniência rápida, do tipo “dar uma olhada” (glanceable), típica dos relógios inteligentes.
Pulseira sEMG transforma gestos sutis em comandos
No vídeo, uma pulseira acompanha o óculos. O acessório utiliza eletromiografia de superfície (sEMG) para interpretar sinais elétricos dos músculos do antebraço. Na prática, deslizar os dedos na própria mão ou fazer leves contrações basta para selecionar itens ou digitar respostas. A tecnologia foi detalhada por pesquisadores da Meta na revista científica Nature em julho e promete eliminar a dependência de botões físicos ou comandos de voz em ambientes barulhentos.
Oakley Meta Sphaera: foco em esportes com câmera central
Além do Ray-Ban, o vazamento entregou o Oakley Meta Sphaera, modelo voltado a atividades esportivas. O design lembra óculos de desempenho, com lente única envolvente e uma câmera posicionada no nariz. Ainda não há menção a tela embutida, sugerindo que sua função principal será captura de vídeo e interação por áudio, assim como as gerações anteriores dos Ray-Ban Stories.
Parceria Meta + EssilorLuxottica: 3 bilhões de euros na mesa
A colaboração com a Ray-Ban começou em 2020, mas quase naufragou quando a EssilorLuxottica teria recusado as novas demandas de espessura nas hastes para acomodar o display. O impasse aparentemente terminou após um investimento de 3 bilhões de euros da Meta, que rendeu à big tech 3% de participação na gigante óptica. O aporte garantiu não só o uso da marca Ray-Ban, mas também know-how de produção em grande escala com apelo de moda.
Imagem: reprodução
Anúncio oficial no Meta Connect
Tanto o Ray-Ban Display quanto o Oakley Sphaera devem ser apresentados formalmente no Meta Connect, marcado para 17 e 18 de setembro. A empresa não comentou o vazamento, mas o cronograma sugere que as unidades mostradas já estão em estágio avançado de engenharia.
Análise de Impacto: por que esse vazamento importa?
A Meta tenta há anos emplacar um dispositivo de realidade aumentada que seja socialmente aceitável e, ao mesmo tempo, tecnicamente viável fora do laboratório. O Ray-Ban Display acerta em dois pontos críticos: mantém a estética de um óculos comum — peça-chave para adoção massiva — e introduz uma interface de “micro-AR” que não exige processador de alto desempenho nem consumo exagerado de bateria. Isso reduz custo, peso e, principalmente, barreiras culturais.
Para profissionais de marketing e criadores de conteúdo, o potencial é claro: a tela monocular torna a notificação ainda mais instantânea, abrindo espaço para formatos publicitários contextuais que convivam no campo de visão do usuário. Já para o consumidor final, o acessório pode substituir parte das funções do smartwatch, liberando o pulso ou simplesmente oferecendo uma experiência complementar mais natural. Se o produto chegar ao mercado com preço próximo ao de um smartphone premium, a Meta pode inaugurar uma nova categoria intermediária entre wearables e headsets imersivos, acelerando a popularização da realidade aumentada no dia a dia.
Em outras palavras, o vazamento não revela apenas um novo gadget; ele sinaliza como a AR pode sair do nicho entusiasta e se tornar tão corriqueira quanto colocar um par de óculos escuros antes de sair de casa.