Stir Shaken: Origem Verificada contra fraudes telefônicas
Stir Shaken, protocolo já usado nos EUA e Canadá, desembarca no Brasil sob o selo “Origem Verificada” para frear spoofing – fraude que mascara o número exibido no visor – e dar mais transparência às ligações.
Como funciona a dupla STIR + SHAKEN
STIR é o componente que gera a assinatura digital na origem da chamada, enquanto SHAKEN define como essa assinatura será verificada ao longo da rede. O processo ocorre em três etapas: a operadora de origem cria o token criptografado, o código viaja com a ligação e, por fim, a operadora de destino valida o pacote antes de exibir o número. Quando tudo dá certo, o usuário pode ver o nome da empresa, logotipo e até o motivo da chamada.
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a tecnologia respeita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao reduzir o compartilhamento indevido de informações pessoais. Em outros mercados, segundo reportagem da Wired, a adoção do protocolo derrubou o volume de robocalls falsificadas em poucos meses.
Prazos da Anatel, multas e oportunidades para empresas
Após pilotos iniciados em 2024, a Anatel tornou a Origem Verificada obrigatória em abril de 2025. Prestadoras de serviço têm três anos para integrar o sistema. O Despacho Decisório nº 787/2025 enquadra como “grande chamador” qualquer CPF ou CNPJ que gere mais de 500 mil ligações por mês; nesse caso, cada chamada deve sair autenticada.
Quem ignorar a regra pode sofrer bloqueio do número, suspensão do direito de originar chamadas ou multa de até R$ 50 milhões. Em contraste, companhias que aderem relatam maior taxa de atendimento, menos fraudes envolvendo a marca e melhor percepção de segurança por parte dos clientes.
A obrigatoriedade vale de 1º de novembro de 2025 a 31 de outubro de 2028, período em que operadoras terão de enviar relatórios mensais de aderência à agência reguladora. Mesmo aparelhos antigos, que não exibem selo visual, se beneficiam porque a checagem ocorre entre as redes.
No curto prazo, Stir Shaken não elimina todas as ligações indesejadas – códigos 0303 (telemarketing) e 0304 (cobrança) continuam em vigor –, mas impede o uso de números falsos, etapa crucial para combater golpes por voz. Empresas digitais que dependem de call centers ou URAs precisam apenas garantir que seu provedor de telefonia esteja compatível, já que o token é aplicado de forma automática.
Com a exigência regulatória, a tendência é que bancos, e-commerces e grandes operações de atendimento acelerem a adoção do protocolo para proteger clientes e evitar sanções. Para acompanhar outras novidades que podem impactar seu negócio, visite nossa editoria de Análise de Tecnologia.
Crédito da imagem: Mundoconectado
Fonte: Mundoconectado