Steve Jobs e o segredo da Pixar: história antes da tech
Steve Jobs aproveitou uma entrevista inédita em 22 de novembro de 1996 para explicar por que a Pixar se tornaria um império bilionário: “o diferencial não é a tecnologia, e sim a história”. O bate-papo, gravado um ano após o lançamento de Toy Story, mostra o raciocínio de negócios que impulsionou a animação a crescer 70% em menos de doze meses e pavimentou o retorno triunfal de Jobs à Apple semanas depois.
O IPO que catapultou o estúdio
Munido do sucesso de bilheteria de quase US$ 400 milhões de Toy Story, Jobs abriu o capital da Pixar em 29 de novembro de 1995. As ações, precificadas para estrear a no máximo US$ 14, começaram o pregão a US$ 47 e fecharam a US$ 39, avaliando a empresa em cerca de US$ 1,5 bilhão. Jobs, dono de 80% das cotas desde que comprou a divisão da Lucasfilm por US$ 10 milhões em 1986, transformou-se em bilionário naquele dia.
Gestão de talentos invertida
Na conversa, o executivo descreve uma “hierarquia de poder invertida”: quando a equipe reúne artistas e engenheiros excepcionais, o CEO passa a servir – e não mandar. A função da liderança, segundo ele, é remover barreiras para que cerca de 100 criativos, técnicos e produtores trabalhem como pares, algo raro em Hollywood.
Opções de ações, não contratos
Jobs rejeitava o modelo hollywoodiano baseado em contratos longos. Inspirado no Vale do Silício, oferecia participação acionária a todos, alinhando a motivação diária ao aumento de valor para o acionista. “Nosso desafio é tornar a Pixar tão boa que ninguém queira sair”, resumiu.
Lições caras aprendidas com a Disney
Ao coproduzir Toy Story com a Disney, a Pixar acessou décadas de know-how sobre edição antecipada: animação é tão custosa que filmar cenas extras é inviável. A técnica salvou milhões em orçamento e, após uma exibição-teste desastrosa na Black Friday, permitiu reescrever o roteiro em duas semanas e evitar o cancelamento.
Histórias que atravessam gerações
Jobs comparou hardware a desenhos animados: um computador raramente dura mais de cinco anos, enquanto Branca de Neve (1937) continuava lucrando 60 anos depois, vendendo 28 milhões de fitas VHS em 1996. O objetivo da Pixar, afirmou, era criar mitos que se renovassem a cada nova leva de crianças.
Impacto além da animação
Semanas após a entrevista, a Apple comprou a NeXT por US$ 429 milhões, trazendo Jobs novamente ao comando. A experiência na Pixar moldou sua visão de produtos: tecnologia é apenas meio para dar vida a ideias atemporais. A estratégia rendeu frutos – em 2006 a Disney comprou a Pixar por US$ 7,4 bilhões, tornando Jobs o maior acionista individual do grupo.
Como ressalta uma análise da Wired, o estúdio continua a validar a máxima de Jobs: narrativas fortes garantem relevância mesmo quando o software envelhece. Prova disso é Toy Story 5, previsto para 19 de junho de 2026.
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Crédito da imagem: Hardware
Fonte: Hardware