Se você costuma usar o Spotify no modo gratuito e já se irritou por não conseguir tocar aquela música exata na hora que queria, prepare-se para uma boa surpresa. A plataforma decidiu afrouxar uma das limitações mais antigas do serviço: a obrigação de escutar playlists em ordem aleatória. Com a mudança, usuários que não pagam assinatura poderão pesquisar, escolher e iniciar a reprodução de qualquer faixa disponível no catálogo.
O movimento vem em um momento estratégico para o Spotify, que tem 433 milhões de ouvintes na modalidade com anúncios — contra 276 milhões no plano Premium. Ao ampliar o leque de possibilidades para a maioria da base, a empresa espera aumentar o tempo de uso do app e, por consequência, a exposição a campanhas publicitárias que sustentam seu modelo de negócios.
Quais funções chegam para quem não paga?
A atualização, distribuída globalmente nas versões mais recentes dos aplicativos para iOS e Android, introduz três ferramentas principais:
- Pick & Play: permite escolher qualquer música e reproduzi-la imediatamente, sem depender do embaralhamento automático;
- Search & Play: habilita a busca por faixas específicas, algo antes restrito a assinantes, e a execução instantânea do resultado;
- Share & Play: possibilita tocar canções compartilhadas por amigos ou artistas em redes sociais, aproveitando, por exemplo, links divulgados em Stories do Instagram.
Recursos já presentes no plano gratuito, como a daylist (lista que se adapta ao horário) e a área de mensagens, continuam disponíveis sem mudanças.
O que permanece exclusivo do Spotify Premium?
Apesar da flexibilização, a empresa mantém alguns diferenciais reservados ao pagamento mensal:
- Transmissão em lossless (áudio de alta fidelidade);
- Criação de playlists via inteligência artificial;
- Função Mix para combinações avançadas de faixas.
Como a decisão se encaixa na estratégia de negócios
Segundo dados recentes, a publicidade enfrenta ventos contrários em diversos setores, e o Spotify não é exceção. Ao permitir que o usuário gratuito faça mais dentro da plataforma, a companhia aumenta as chances de engajamento prolongado — ingrediente crucial para mostrar anúncios em volume maior e com melhor segmentação.
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O rollout será gradual, incluindo o Brasil, e deve alcançar todos os perfis gratuitos nas próximas semanas.
Análise de Impacto: por que isso importa?
Na prática, o Spotify está trocando parte do “paywall” por um “ad-wall”. Quanto mais liberdade o usuário grátis tiver, maior o tempo de permanência e, portanto, maior a receita gerada por anúncios. Para o consumidor, o ganho é claro: deixa de ser refém do modo aleatório para descobrir ou revisitar uma faixa específica, sem colocar a mão no bolso.
Do lado do mercado, a mudança pressiona concorrentes que ainda bloqueiam funções básicas nos níveis gratuitos, além de elevar a régua de expectativa do público. Se o teste de engajamento der certo, é plausível que a plataforma adicione novos recursos “semi-premium” ao plano com anúncios, reservando apenas diferenciais de nicho — como áudio de altíssima qualidade — para quem paga. Em outras palavras, a equação entre conveniência e publicidade no streaming de música acaba de ser recalibrada, algo que pode redefinir o modelo de monetização em todo o setor.