Todo mundo que administra um site já ouviu falar em SEO. Mas, de repente, outro acrônimo entrou em cena: GEO, de Generative Engine Optimization. Se o SEO garante o clique no resultado azul do Google, o GEO trabalha para que plataformas como ChatGPT e as recém-chegadas “AI Overviews” do próprio Google mencionem a sua marca diretamente na resposta.
Para quem vive de audiência — de blogs em WordPress a e-commerce que monetizam com AdSense ou afiliados — entender a diferença entre esses dois mundos é crucial. O SEO ainda traz grandes volumes de visitantes, porém o GEO pode gerar leads altamente qualificados mesmo sem clique algum. A seguir, veja como cada estratégia funciona, onde elas se cruzam e o que realmente muda na sua rotina de criação de conteúdo.
O que é SEO hoje e por que continua indispensável
Search Engine Optimization segue sendo o ato de ajustar páginas para que elas apareçam no topo do Google, Bing e afins. O processo é sustentado por três etapas técnicas — crawling, indexação e ranqueamento — e por quatro pilares práticos:
- Pesquisa de palavras-chave: descobrir termos que o público realmente digita.
- SEO on-page: responder à intenção de busca com conteúdo detalhado e útil.
- SEO off-page: conquistar backlinks de sites confiáveis.
- SEO técnico: garantir velocidade, segurança, arquitetura limpa e mobile-friendly.
A recompensa são cliques que chegam em massa e percorrem várias páginas do seu domínio, alimentando métricas de tráfego, engajamento e, claro, receita.
GEO: a nova fronteira para aparecer nas respostas de IA
No GEO, o alvo não é mais a SERP, mas a própria resposta gerada por modelos de linguagem (LLMs). Seja em um prompt no ChatGPT ou em um resultado com IA generativa no Google, o objetivo é que a ferramenta cite dados, comparações ou até o nome da sua empresa.
Funciona assim:
- Menções de terceiros: listas de “melhores ferramentas”, reviews e reportagens pesam mais do que o conteúdo do seu próprio site.
- Formatos preferidos pela IA: guias passo a passo, estudos de dados e comparativos “X versus Y”.
- Informações verificáveis: números e estatísticas claros aumentam a chance de citação.
- Presença multicanal: YouTube é a 2ª fonte mais citada pela IA do Google; Reddit vem em 3º.
- Atualização constante: o modelo tende a priorizar páginas recentes.
Cinco diferenças-chave que redefinem sucesso e métricas
1. Link x menção — No SEO, seu prêmio é o link clicável. No GEO, é ser citado dentro da resposta, muitas vezes sem link visível.
2. Jornada com clique x pesquisa zero-clique — Estudo do Pew Research mostra que, quando o Google exibe resumos de IA, a taxa de cliques cai de 15% para 8%, e 26% dos usuários encerram a sessão ali mesmo.
3. Economia do clique x economia da visibilidade — SEO mede posições, backlinks e sessões. GEO mede quantidade de menções, citações e o chamado “share of voice” dentro das respostas de IA.
Imagem: Mateusz Makosiewicz
4. Dominância do seu domínio x peso de sites terceiros — A maioria das citações em IA nasce fora do seu site, exigindo integração com PR, influenciadores e comunidades.
5. Tráfego de exploração x tráfego de alta intenção — Usuários vindos de IA visualizam menos páginas (4 contra 5,2), mas permanecem um pouco mais nelas (86 s contra 78 s) e podem converter até 23 vezes mais, segundo dados do Ahrefs.
Semelhanças que continuam valendo: conteúdo, intenção e reputação
Apesar das diferenças, SEO e GEO compartilham três fundamentos:
- Conteúdo de qualidade: ainda é o fator que sustenta autoridade temática.
- Foco na intenção do usuário: responder exatamente ao que a pessoa busca, seja em texto ou em prompt.
- Credibilidade da marca: menções — mesmo sem link — e sinais de confiança continuam determinantes para que máquinas citem sua fonte.
Do Clique à Menção: o que fazer agora para não perder relevância
O SEO é o alicerce; sem ele, a IA não teria de onde extrair informação confiável. Mas o crescimento das respostas geradas por IA sinaliza um futuro em que a visibilidade conta tanto quanto o clique. Isso exige repensar métricas: acompanhar não só rankings, mas também quantas vezes a marca aparece em ChatGPT ou na AI Overview do Google.
Na prática, vale manter a rotina clássica de otimização — palavras-chave, backlinks e performance técnica — enquanto se expande para:
- Distribuição estratégica em portais, fóruns e canais de vídeo para multiplicar menções.
- Conteúdo com dados proprietários, que a IA possa citar como fonte única.
- Monitoramento de citações em IA, tratando cada menção como novo indicador de brand awareness.
Em suma, dominar SEO garante o presente; incorporar GEO prepara você para um cenário onde respostas prontas substituem boa parte dos cliques. Equilibrar os dois é o caminho mais sólido para continuar relevante — e rentável — na web que se desenha.