Fones de ouvido true wireless já viraram companheiros inseparáveis de quem produz conteúdo, passa horas em reuniões ou simplesmente faz do smartphone um jukebox pessoal. Por isso cada novo lançamento que mistura alta fidelidade sonora com preço “pagável” chama a atenção. É exatamente o caso do QCY MeloBuds N70, anunciado como o modelo mais avançado da marca chinesa e recheado de recursos que costumavam ser exclusivos de produtos bem mais caros.
Para quem monetiza vídeos, grava podcasts ou depende de chamadas cristalinas para tocar o negócio – seja em WordPress, no Google AdSense ou em programas de afiliados – especificações como codec LDAC, cancelamento de ruído ativo (ANC) de até –56 dB e autonomia total de 50 horas podem fazer diferença direta na qualidade de entrega (e na produtividade). A seguir, destrinchamos os fatos antes de entrar no “e daí?” que realmente interessa.
Projeto e ergonomia pensados para o uso prolongado
Disponible em Midnight Black, Starlight Purple e Titanium Gold, o MeloBuds N70 aposta em um visual minimalista com composição em PC + ABS de acabamento fosco. Cada unidade pesa 5,3 g, prometendo leveza sem fragilidade, e ostenta certificação IPX5 contra suor e respingos. O kit traz cinco pares de pontas CloudComfy em silicone de duas camadas; o objetivo é distribuir a pressão no canal auditivo e reforçar o isolamento passivo, algo essencial para que o ANC faça seu trabalho sem gerar desconforto após horas de uso.
Qualidade de áudio: drivers duplos e certificação Hi-Res
No coração do N70 está um sistema de drivers híbridos: um dinâmico de 10 mm em silicone líquido cuida de graves e médios, enquanto um driver MEMS lida com agudos. A marca ainda adicionou um tubo acústico duplo patenteado que, segundo ela, minimiza distorções e expande a resposta de frequência de 20 Hz a 40 kHz. O suporte ao codec LDAC de alta taxa de bits rendeu a certificação oficial Hi-Res Wireless, permitindo streaming Bluetooth quase sem perdas para quem usa serviços compatíveis ou arquivos locais de alta qualidade.
Cancelamento de ruído adaptativo e microfones direcionais
O ANC do MeloBuds N70 trabalha em largura de banda de 5,5 kHz e promete reduzir ruídos externos em até –56 dB. Um algoritmo analisa em tempo real tanto o ambiente quanto o encaixe do fone, ajustando a força da supressão para evitar pressão auditiva desnecessária. Cada lado conta com múltiplos microfones, inclusive um interno que captura a voz de dentro do canal, e tecnologia de beamforming para destacar a fala durante chamadas. Há ainda um sistema próprio para conter o ruído de vento, combinando malha física, câmara acústica e DSP, que a QCY diz cortar até 90 % das rajadas.
Funcionalidades inteligentes e app companion
Gestos táteis dão acesso rápido a reproduzir/pausar, avançar ou retroceder faixa, atender ligações e acionar o assistente de voz. Sensores intra-auriculares pausam o áudio quando o fone sai da orelha. Quem baixa o aplicativo da QCY (Android/iOS) pode:
- Selecionar manualmente o nível de ANC;
- Usar o HearX EQ, que executa um teste auditivo e gera equalização sob medida;
- Atualizar firmware ou personalizar comandos.
A conexão multiponto permite manter dois dispositivos emparelhados ao mesmo tempo, alternando automaticamente a fonte de áudio – útil para quem vive entre smartphone e notebook.
Conectividade, bateria e preço
Equipado com Bluetooth 6.0 (perfil A2DP, AVRCP e HFP) e Google Fast Pair, o MeloBuds N70 promete alcance de até 20 m. Cada fone traz bateria de 40 mAh, suficiente para cerca de 9,5 h de reprodução contínua; o estojo de 480 mAh leva a autonomia total a 50 h. Dez minutos na tomada entregam 2 h extras graças à carga rápida, e o estojo aceita carregamento sem fio.
Imagem: Internet
No varejo online internacional o preço gira em torno de R$ 230 a R$ 270, posicionando o modelo no segmento “quase premium” sem romper a barreira psicológica dos R$ 300.
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Até pouco tempo, especificações como LDAC, certificação Hi-Res e ANC com profundidade superior a –50 dB eram exclusividade de marcas consolidadas que cobravam quatro dígitos. O MeloBuds N70 escancara uma tendência: funcionalidades que agregam valor real ao uso – e não só ao marketing – estão descendo rapidamente para faixas de preço mais acessíveis.
Para criadores de conteúdo, isso significa baratear o “custo de entrada” em setups de gravação móveis ou em deslocamento. Microfones internos com beamforming e atenuação de vento tornam viável gravar um trecho de podcast na rua ou participar de uma call no café sem carregar headset volumoso. Já para profissionais de marketing, a crescente popularização de codecs de alta resolução reforça a necessidade de entregar peças de áudio (vinhetas, anúncios, jingles) que realmente se beneficiem da faixa ampliada de frequência.
Do ponto de vista competitivo, a QCY pressiona tanto marcas de entrada, que agora precisam oferecer mais do que “básico barato”, quanto nomes tradicionais, forçados a justificar valores maiores com diferenciais claros em software, materiais ou ecossistema. Se o padrão de 2024 é ter LDAC, ANC adaptativo e autonomia acima de 40 h, a próxima corrida provavelmente será por IA embarcada para personalização em tempo real e sensores de saúde avançados.
Conclusão: o MeloBuds N70 não revoluciona a categoria, mas eleva a régua de requisitos para os modelos sub-R$ 300. Quem acompanha o mercado deve observar como esse movimento influencia as próximas gerações de fones populares e, principalmente, como a experiência sonora que antes era “premium” vai se tornar a nova base para consumidores exigentes.