Imagine embarcar em um voo doméstico nos Estados Unidos sem precisar abrir a carteira: basta aproximar o iPhone do leitor da TSA e seguir viagem. A Apple confirmou que essa cena vai deixar de ser ficção em 2025, quando o recurso Digital ID finalmente permitir o armazenamento de passaportes no app Carteira (Wallet) do iOS 26.
Para quem trabalha com tecnologia, cria conteúdo sobre mobilidade digital ou analisa tendências de mercado, o movimento é mais do que um mero “conforto” para o usuário: ele sinaliza um passo decisivo na transformação do iPhone em documento oficial — com implicações diretas em segurança, privacidade e novos modelos de negócios.
O que mudou no cronograma oficial
A Apple atualizou discretamente a página de recursos do iOS 26. Onde antes se lia que o Digital ID “estaria disponível em uma atualização de software”, agora consta a promessa de chegada “ainda este ano”, mas restrito a passaportes norte-americanos. A retirada da menção explícita à atualização não impede a especulação: analistas apostam que a função apareça num iOS 26.1 ou 26.2, já que o primeiro beta do 26.1, liberado para desenvolvedores, não traz a novidade.
Como o Digital ID vai funcionar
O recurso expande a integração de carteiras de motorista já existente nos Estados Unidos. Na prática, o usuário abrirá o app Carteira, tocará em “Adicionar Documento”, escaneará o passaporte e passará por um processo de verificação biométrica. Uma vez aprovado, o passaporte digital poderá ser apresentado:
- Em pontos de verificação da TSA para voos domésticos.
- Como comprovante de idade em apps e sites que exigem verificação.
- Em lojas físicas que precisem confirmar identidade do cliente.
Nenhum detalhe foi dado sobre uso em viagens internacionais ou expansão para outros países, inclusive o Brasil.
Reação do ecossistema e próximos passos
Parceiros governamentais e de varejo já testam a infraestrutura necessária para validar o novo documento virtual. Do lado de Cupertino, as atenções se voltam para garantir criptografia ponta a ponta e autenticação por Face ID ou Touch ID, peças-chave para convencer órgãos públicos de que o passaporte digital é tão confiável quanto o de papel.
Além do hype: por que a Carteira de Passaportes muda as regras do jogo
Ao transformar o iPhone em documento oficial, a Apple dá um salto estratégico comparável ao que fez com o Apple Pay em 2014. Trata-se de prender o usuário ainda mais ao ecossistema: se seu passaporte, carteira de motorista e cartão de embarque vivem no aparelho, trocar de plataforma fica caro — literalmente.
Imagem: Juli Clover
Para desenvolvedores e profissionais de marketing, o impacto chega em forma de KYC (“Know Your Customer”) simplificado. Aplicativos de delivery, bancos digitais e mesmo programas de afiliados podem integrar a verificação de identidade nativa do sistema, reduzindo fraude e abandando fluxos de cadastro longos. Mais dados verificados significam campanhas de publicidade segmentadas com menor risco de bots ou usuários falsos.
Do lado da privacidade, o modelo descentralizado da Apple, em que os dados ficam criptografados no Secure Enclave, coloca pressão sobre concorrentes que dependem de servidores externos. A discussão não é trivial: governos interessados em identidades digitais nacionais podem se ver obrigados a negociar padrões com empresas de tecnologia privadas — um duelo regulatório que tende a esquentar nos próximos anos.
Por fim, a exclusividade inicial para passaportes dos EUA faz parte da estratégia habitual da Apple: testar em um mercado com legislação favorável antes de escalar globalmente. Se a experiência com a Carteira de motorista em estados norte-americanos servir de termômetro, veremos a função saltar para outros países apenas quando autoridades locais aceitarem o framework de segurança da empresa — algo que, no Brasil, dependerá de acordos com a Polícia Federal e a Casa da Moeda.
Em resumo, o Digital ID não é apenas um novo ícone na Tela Inicial. Ele inaugura a fase em que smartphones disputam espaço com documentos oficiais, redefinindo tanto a jornada do consumidor quanto as engrenagens do comércio eletrônico e do marketing digital.