Carregar um mouse sempre foi um dilema para quem trabalha fora do escritório: o periférico é indispensável para produtividade, mas ocupa espaço que notebooks ultrafinos economizam a cada geração. A fabricante japonesa myAir.0 diz ter encontrado uma solução tão fina quanto um bloco de notas: o OriMouse, que encolhe para apenas 5 mm de espessura quando dobrado.
Peso de 38 g, bateria que pode chegar a três meses de uso e um preço de lançamento de US$ 69 colocam o dispositivo no radar de nômades digitais, criadores de conteúdo em constante deslocamento e profissionais de marketing que trabalham entre cafés, coworkings e salas de embarque. Mas o que exatamente torna esse gadget diferente de outros mouses compactos? E qual impacto real essa proposta pode ter no nosso dia a dia hiperconectado? Vamos aos detalhes.
Design origami: de superfície plana a mouse ergonômico em meio segundo
O OriMouse utiliza um sistema magnético patenteado que se inspira no origami. Em menos de 0,5 s, o que parece um simples “tapete” de 122 × 122 × 5 mm se transforma em um mouse de tamanho completo (72 × 115 × 42 mm) sustentado por uma estrutura triangular. Segundo a myAir.0, essa geometria garante a mesma estabilidade de modelos tradicionais, sem comprometer a ergonomia.
O revestimento é de couro vegano, resistente à água e a dobras repetidas. Mesmo após inúmeros ciclos de montagem, a fabricante afirma que o material não perde integridade — um ponto crucial para quem transporta o acessório diariamente junto a notebooks e cabos.
Especificações técnicas pensadas para produtividade
Debaixo do design dobrável há um sensor infravermelho HD de 4 000 DPI com taxa de rastreamento de até 30 IPS. Não é um mouse gamer, mas entrega precisão suficiente para tarefas de edição de texto, planilhas e design leve.
A conectividade é exclusivamente Bluetooth 5.2 em 2,4 GHz, com alcance de até 10 m em áreas abertas. Nada de dongles USB, o que alinha o produto à tendência dos laptops que abandonam portas tradicionais.
A bateria de 500 mAh promete até três meses de autonomia. Se acabar energia no meio da reunião, um minuto no cabo USB-C rende cerca de três horas de uso graças à recarga rápida integrada.
Botões mecânicos, scroll por toque e opções de acabamento
Ao contrário de mouses ultracompactos que sacrificam cliques físicos, o OriMouse mantém botões mecânicos nas laterais. A roda de rolagem foi substituída por um sensor de toque vertical, que ainda funciona como terceiro botão quando pressionado — solução que exige breve curva de aprendizado.
Imagem: William R
O periférico sai de fábrica em cores preto, cinza e prata platinum, além de versões com textura lisa ou “grão” de couro. A compatibilidade inclui Windows, macOS, iPadOS 13.4+, Android 3.1+ e qualquer dispositivo com Bluetooth habilitado.
Recepção inicial e disponibilidade
Desde a análise publicada pelo PC Gamer em 16 de outubro de 2025, o OriMouse tem recebido elogios pela inovação, mas também críticas pontuais: parte dos usuários estranhou a textura mais áspera em algumas variantes e precisou de tempo para se adaptar ao scroll por toque.
No mercado internacional, o produto já pode ser adquirido por US$ 69. Não há, até o momento, confirmação de distribuição oficial no Brasil, mas importadores independentes começam a listar o periférico.
Quando o periférico some na mochila: o que o OriMouse sinaliza sobre o futuro da mobilidade
O mouse dobrável da myAir.0 não é apenas um truque de design; ele evidencia três movimentos maiores dentro do setor de hardware:
- Portabilidade radical como requisito, não luxo. Ultrabooks, tablets e celulares potentes colocaram a mobilidade no centro da produtividade. Periféricos que não acompanham essa tendência ficam para trás, abrindo espaço para soluções extremas como o OriMouse.
- Integração total com wireless e USB-C. A decisão de remover o receptor USB reforça a pressão sobre fabricantes de notebooks a manterem pelo menos uma porta compatível com carregamento rápido. Ao mesmo tempo, o uso exclusivo de Bluetooth consolida o protocolo como padrão de fato para acessórios pessoais.
- Material e experiência de uso como diferenciais competitivos. Couro vegano, resistência a água e dobras e scroll por toque mostram que as marcas buscam atributos sensoriais — textura, feedback tátil — para justificar preços mais altos em um mercado saturado de mouses genéricos.
Para freelancers, criadores de conteúdo e profissionais de marketing que trabalham em movimento, a proposta é clara: reduzir peso e volume sem perder conforto. Se o conceito prosperar, veremos mais periféricos “origami” — teclados, bases de refrigeração e suportes — transformando mochilas em mini estações de trabalho. Por enquanto, o OriMouse serve como termômetro de quão longe a indústria está disposta a ir para que o hardware, literalmente, desapareça quando não está em uso.
No fim das contas, o sucesso ou fracasso do mouse dobrável japonês dirá menos sobre ele próprio e mais sobre a nossa disposição em trocar hábitos consolidados por novas ergonomias em nome da mobilidade extrema.