Imagine abrir um pacote de Oreo e, em vez de encontrar apenas o clássico biscoito recheado, deparar-se com uma mensagem irônica no melhor estilo Wandinha Addams. Foi exatamente isso que a marca propôs ao lançar, em outubro de 2025, a edição limitada “Modo Wandinha”.
A iniciativa, que mescla distribuição física e interação online, virou assunto não só entre fãs da série da Netflix, mas também entre profissionais de marketing atentos a estratégias de engajamento fora do óbvio. A ação revela como um produto centenário pode continuar relevante ao se conectar com a cultura pop e criar experiências que fogem da prateleira do supermercado.
O que é o “Modo Wandinha” da Oreo
A edição limitada substitui o tradicional “biscoito da sorte” por um pacote especial que inclui duas unidades do Oreo e mensagens impressas em tom ácido e bem-humorado, alinhadas à personalidade da personagem. O conceito é simples: ativar o “Modo Wandinha” do consumidor oferecendo frases que brincam com o humor sombrio da série.
Distribuição exclusiva em voos e deliveries
Para criar sensação de raridade, a marca escolheu canais restritos. Passageiros da Azul Linhas Aéreas e clientes de restaurantes parceiros que pediram delivery durante a campanha receberam os packs colecionáveis. Nada foi colocado à venda diretamente; a aquisição dependia do contexto—voar ou pedir comida—o que reforçou o caráter de brinde e elevou o valor percebido do item.
Expansão digital para quem ficou de fora
Após o término da ação física, a Oreo lançou uma landing page na qual qualquer interessado podia “destravar” a sorte virtual no Modo Wandinha. O usuário se cadastrava, recebia sua mensagem digital exclusiva e podia compartilhá-la nas redes sociais, estendendo o alcance da campanha sem custo logístico adicional.
Oreo e cultura pop: uma história de reinvenções
Lançado em 1912 em Nova York, o Oreo mantém a receita base, mas construiu sua relevância cultural por meio de sabores sazonais, edições comemorativas e colaborações com filmes, jogos e agora séries de streaming. Esse ecossistema de “colecionáveis comestíveis” prolonga a conversa em torno do produto e transforma o ato de consumir o biscoito num ritual social constantemente renovado.
Imagem: Internet
Marketing de Experiência à Mesa: o que a ação Oreo + Wandinha ensina sobre engajamento
Por que dedicar atenção a uma simples embalagem temática? Primeiro, a Oreo demonstra a força do marketing de escassez: ao limitar a distribuição, cria-se desejo genuíno e buzz orgânico—ingredientes valiosos para qualquer estratégia de awareness. Segundo, a campanha reforça o conceito de phygital, onde físico e digital se complementam. O consumidor que ficou sem o pack não se sente excluído; pelo contrário, é convidado a continuar a história online, gerando dados e prolongando o ciclo de interação.
Para criadores de conteúdo, a ação oferece insights sobre storytelling aplicado a produtos tangíveis. Já profissionais que monetizam blogs ou portais via AdSense percebem que pautas ligadas a edições limitadas e cultura pop tendem a atrair tráfego qualificado, pois unem entretenimento e novidade. Por fim, marcas de qualquer porte podem notar que não basta “estampar” um personagem: é preciso entregar uma experiência coerente com o universo da obra—no caso, mensagens sarcásticas que soam autênticas, não publicitárias.
No fim das contas, a edição “Modo Wandinha” mostra que até um biscoito centenário pode se reinventar quando entende que o consumidor não compra apenas produto; compra história, pertencimento e, sobretudo, a chance de participar de algo único—mesmo que isso dure apenas o tempo de degustar duas casquinhas pretas com recheio branco.