Uma embalagem de bolacha costuma ser apenas… uma embalagem. Mas, quando a Oreo veste preto e branco para homenagear a série Wandinha, o pacote ganha outra função: vira peça de colecionador, isca de engajamento e case de marketing que une delivery, companhia aérea e experiência digital em um mesmo enredo. Para quem trabalha com conteúdo, afiliados ou monetização, o movimento da marca é um bom termômetro de como as campanhas cross-media estão ficando mais sofisticadas — e mais disputadas pelo público.
A novidade, anunciada em 12 de outubro de 2025, trocou o tradicional “gato da sorte” encontrado em restaurantes asiáticos por um “biscoito da sorte” de atitude sombria e frases sarcásticas, bem ao estilo da protagonista da Netflix. A ação, inicialmente restrita a entregas de restaurantes parceiros e a voos da Azul, depois ganhou versão online para quem ficou de fora do circuito físico. Abaixo, destrinchamos os detalhes.
O que exatamente é o “Modo Wandinha” da Oreo
Em vez de comercializar um novo sabor, a Oreo criou uma edição limitada de biscoitos da sorte — dois biscoitos em pacote exclusivo, acompanhados de mensagens ácidas que imitam o humor da personagem. Diferentemente dos fortune cookies tradicionais, o recheio continua o mesmo; a inovação está na experiência de abrir o pacote e descobrir qual frase você “sorteou”.
Da cabine do avião ao app de delivery: como a distribuição foi orquestrada
• Restaurantes parceiros: Quem pedia comida em estabelecimentos selecionados recebia o pack especial sem custo adicional durante o período da campanha.
• Voos da Azul: Passageiros encontraram a edição limitada a bordo, reforçando o clima de evento exclusivo.
• Landing page oficial: Após o fim dos pacotes físicos, a marca disponibilizou uma versão digital das mensagens. Bastava se cadastrar para “destravar” a própria sorte, mantendo a interação viva.
Do biscoito ao colecionável: a lógica da escassez planejada
Por serem limitados, os packs rapidamente se tornaram alvo de colecionadores e fãs da série. A escassez intencional, somada ao apelo afetivo de Wandinha, fez com que os kits aparecessem em fóruns de troca e vendas de memorabilia. Paralelamente, a Oreo também lançou no varejo pacotes temáticos com o rosto da personagem gravado no biscoito, mas esses não incluíam as mensagens “da sorte”.
Da TV ao Pacote: o que a ação diz sobre o novo marketing de engajamento
O case Wandinha mostra que, em 2025, a audiência não se satisfaz mais com anúncios tradicionais — ela quer participar da história. Ao unir canais físicos (delivery e voos) com extensão digital, a Oreo faz três movimentos importantes:
Imagem: Internet
1. Explora o conceito de “in media res”. A marca encontra o consumidor no exato momento em que ele está consumindo outro serviço (comida ou viagem). Dessa forma, o impacto emocional é maior porque chega de surpresa, não via banner que pode ser ignorado.
2. Cria memorabilia imediata. O pacote vira item de coleção graças à limitação de unidades. Para quem trabalha com marketing de afiliados ou conteúdo, a lição é clara: experiências tangíveis ainda têm poder de viralizar no digital.
3. Estende a narrativa ao online. A landing page serve como “segunda chance” para quem perdeu o kit físico, mas também coleta dados de consumidores interessados. Na prática, é funil de relacionamento disfarçado de brincadeira.
Em resumo, o “Modo Wandinha” não é só mais uma collab pop. Ele sinaliza que as marcas, especialmente as de produtos de consumo rápido, estão migrando de campanhas sazonais para ecossistemas de engajamento contínuo, onde cada ponto de contato — da entrega de comida ao check-in — funciona como gatilho de conversa. Para criadores de conteúdo, entender essa lógica ajuda a antecipar pautas, avaliar parcerias e, principalmente, enxergar onde o público quer ser surpreendido.