Imagine abrir o navegador, digitar “quero um notebook leve para viagem” e assistir à própria página fechar, abrir outras abas, filtrar modelos, montar uma tabela comparativa e até iniciar a compra — tudo sem você tocar no mouse. Parece futurista, mas é exatamente essa experiência que a Opera quer entregar com o recém-lançado Neon, seu primeiro navegador 100% centrado em inteligência artificial “agente”.
O detalhe que chama atenção é o modelo de negócio: em vez de anúncios ou versões “premium”, o acesso inicial ao Neon custa US$ 19,99 por mês. Para quem vive de conteúdo, publicidade ou e-commerce, a pergunta que surge é se vale pagar para ter um assistente de navegação embutido que promete poupar cliques, tempo e, quem sabe, até conversões perdidas.
Nesta análise, vamos destrinchar as funções anunciadas, entender o que diferencia o Neon dos navegadores tradicionais e discutir por que essa aposta da Opera pode mexer com workflows de quem cria sites em WordPress, roda campanhas no Google AdSense ou gerencia afiliados na Amazon.
Como funciona o Neon e por que ele é chamado de “navegador agente”
Lançado em 30 de setembro de 2025, o Opera Neon está sendo liberado de forma gradual para quem entrou na lista de espera. O rótulo de “agente” vem da capacidade de a IA não apenas sugerir informações, mas executar tarefas dentro do próprio navegador:
- Abre e fecha abas automaticamente de acordo com o objetivo informado pelo usuário.
- Compara dados de várias fontes para gerar tabelas e resumos prontos.
- Finaliza transações online usando a sessão logada do usuário, algo que serviços baseados em nuvem não conseguem fazer sem pedir senhas.
Tasks: “mini-navegadores” para separar projetos
A pedra fundamental do Neon é o recurso Tasks. Pense em cada Task como um workspace isolado, com contexto próprio. Você pode, por exemplo, planejar uma viagem em uma Task e, em outra, pesquisar equipamentos para o seu setup de streaming. A IA não mistura informações entre Tasks, reduzindo o risco de confundir destinos de voo com preços de webcam.
Cards: prompts reutilizáveis que viram blocos de automação
Outro conceito novo são os Cards. Eles funcionam como templates de comando: “pull-details”, “comparison-table”, “key-decisions” e assim por diante. O usuário empilha esses Cards para criar fluxos de trabalho prontos. Se você costuma gerar resumos de reuniões para publicar no intranet de um cliente, basta combinar três Cards específicos em vez de digitar instruções repetitivas.
Há ainda uma loja interna para compartilhar ou baixar Cards da comunidade, reforçando a ideia de ecossistema modular.
Neon Do: automação local que respeita credenciais privadas
A função mais ambiciosa atende pelo nome Neon Do. Ela permite à IA navegar por sites, preencher formulários e capturar dados sem sair do ambiente local. Como tudo ocorre no dispositivo do usuário, senhas e tokens de login ficam protegidos — um diferencial importante para quem gerencia múltiplas contas de anúncios, painéis de afiliados ou back-ends de clientes.
Concorrência direta e integração futura com o Opera “clássico”
O Neon não chega sozinho: Perplexity trabalha no Comet Browser e a Browser Company desenvolve o Dia Browser, ambos com foco em IA. A Opera afirma que o Neon não substitui o navegador tradicional, mas parte das novidades deve migrar aos poucos para a versão gratuita, criando um laboratório pago para testar recursos antes de liberá-los em massa.
Além do Navegador: o que um assistente de IA local muda no dia a dia de criadores e profissionais de marketing?
O modelo por assinatura sinaliza que a Opera vê valor suficiente em tarefas automatizadas para cobrar quase o preço de uma suíte de produtividade. Para produtores de conteúdo, isso pode significar:
- Pesquisa mais rápida: comparativos de produtos, levantamento de palavras-chave e verificação de fontes podem ser delegados ao Neon, liberando horas para a produção em si.
- Menos atrito na conversão: se o navegador consegue preencher carrinhos e cupons de afiliado sozinho, a jornada do usuário encurta — bom para quem vive de comissão.
- Novas métricas de engajamento: páginas que precisavam de UX simplificada talvez percam importância se a IA pilota a navegação. Isso pode mudar a forma como se otimiza um site para retenção.
- Privacidade como diferencial competitivo: ao manter as ações locais, o Neon toca num ponto sensível: profissionais que lidam com dashboards de anúncios e dados confidenciais tendem a evitar soluções em nuvem.
Por outro lado, o preço pode limitar a adoção fora de nichos profissionais ou entusiastas hardcore. Se o modelo se provar útil e seguro, é provável que funções semelhantes cheguem em versões gratuitas ou em extensões, pressionando ferramentas de automação web e até assistentes embarcados em sistemas operacionais.
Em suma, o Neon transforma o navegador em plataforma de microsserviços de IA, aproximando a web do conceito de “assistente pessoal” há muito prometido. Para quem vive de otimizar tempo e processos online, vale observar como essas engrenagens rodam na prática — o impacto real pode ser tão grande quanto o passo de deixar o cursor quieto enquanto o browser trabalha sozinho.