Atualizações de sistema costumam privilegiar os celulares caros, mas a Samsung resolveu inverter a lógica: três modelos de linha intermediária — Galaxy A55, A35 e A26 — já estão recebendo a One UI 8 baseada no Android 16. O movimento é incomum, acontece semanas antes do cronograma oficial e sinaliza uma mudança na política de suporte da marca.
Para quem vive do ecossistema digital — seja administrando blogs em WordPress, otimizando campanhas no Google AdSense ou simplesmente buscando um smartphone confiável — esse update vai além de “tela colorida nova”. Ele traz otimizações de IA, reforço de segurança e integração mais fluida com outros dispositivos Galaxy, três fatores que impactam diretamente produtividade, consumo de mídia e até a monetização de conteúdo.
Modelos intermediários recebem prioridade inesperada
Coreia do Sul: Galaxy A55 e Galaxy A35 foram os primeiros intermediários a ganhar a versão estável da One UI 8 (firmwares A556SKSU6CYI6 e A356SKSU6CYI6, respectivamente). O pacote tem cerca de 1,9 GB.
Vietnã: o Galaxy A26 entrou na lista com o firmware A266BXXU4BYI2. A distribuição começou no fim de setembro e deve alcançar Brasil e Índia em outubro.
A56 também contemplado: o modelo recebeu a compilação A566SKSU2BYI5, fechando o quarteto de intermediários que já rodam Android 16.
O que vem dentro do pacote de 1,9 GB
Além do Android 16, o update inclui:
- Refinamentos visuais com cores que se adaptam ao papel de parede;
- Animações mais suaves e telas de bloqueio personalizáveis;
- Ajustes nos apps Calendário, Lembretes e no hub de personalização Good Lock;
- Quick Share aprimorado para envio de arquivos entre celular, tablet e notebook Samsung;
- Pach de segurança de setembro de 2025, que corrige vulnerabilidades críticas.
Galaxy AI ganha protagonismo
A inteligência artificial embarcada está mais presente:
- Tradução simultânea de chamadas e mensagens em tempo real;
- Organização automática de apps por categoria;
- Sugestões contextuais baseadas em uso, localização e agenda;
- Conexão mais fluida com wearables, TVs e eletrodomésticos dentro do ecossistema Galaxy.
Calendário de liberação global
A Samsung prevê levar a One UI 8 a outros países “ao longo das próximas semanas”. O histórico da marca indica que mercados latino-americanos, incluindo o Brasil, costumam receber o update de intermediários entre três e seis semanas após Coreia e Vietnã — ou seja, até o fim de outubro.
Imagem: Reprodução
Nos topo-de-linha, a atualização já está disponível para as linhas Galaxy S23, S24, S25, Z Fold 6, Flip 6 e Fold SE, enquanto os recém-lançados Z Fold 7 e Flip 7 saem de fábrica com o sistema novo.
Além do topo de linha: o que a estratégia de updates da Samsung revela sobre o mercado Android
Ao liberar o Android 16 primeiro para aparelhos de preço médio, a Samsung ataca dois flancos de uma vez. No mercado, sinaliza que seus intermediários não são “dispositivos de segunda classe”, criando um diferencial competitivo frente a rivais como Xiaomi e Motorola, que ainda anunciam cronogramas vagos para modelos equivalentes.
Para quem produz ou monetiza conteúdo, o impacto é direto: usuários com celulares de R$ 1.800 a R$ 2.500 passam a ter acesso imediato a recursos de IA que, até pouco tempo, estavam restritos a flagships. Isso tende a aumentar a adoção de recursos como tradução em tempo real e compartilhamento rápido de arquivos, ampliando audiências multilíngues e agilizando fluxos de trabalho colaborativos.
Em termos de segurança, o patch de setembro de 2025 ajuda a blindar dispositivos que muitas vezes ficam dois ou três anos no bolso do mesmo usuário — ponto crucial para quem armazena dados de negócios, carteira digital e senhas de anúncios online. Por fim, a aposta em integração reforça o conceito de “ecossistema fechado à la Apple”, mas com preços mais acessíveis, algo que pode fidelizar usuários e dificultar migrações para outras marcas.
Se mantiver o ritmo, a Samsung transforma atualização de software em argumento de venda e, de quebra, pressiona o restante da indústria a acelerar seus próprios cronogramas. Para nós, usuários e profissionais de tecnologia, isso significa menos fragmentação, mais inovação circulando e — quem diria — aparelhos intermediários se tornando protagonistas de uma vez por todas.