Óculos inteligentes Inmo Go 3 são a nova aposta da startup chinesa para quem quer recursos de realidade aumentada sem abrir mão da privacidade: o modelo traz tampas que cobrem as câmeras quando não estão em uso, mirando diretamente nas críticas que atingiram o Ray-Ban Display da Meta.
Por que a Inmo fala em “privacidade primeiro”
Depois de a Meta admitir que funcionários tiveram acesso a gravações íntimas feitas com seus óculos, o debate sobre dispositivos vestíveis voltou ao centro das atenções. A Inmo enxergou uma brecha de mercado e, em mensagem enviada a possíveis apoiadores no Kickstarter, explicou que o Inmo Go 3 inclui:
- duas tampas magnéticas que deslizam sobre as lentes das câmeras;
- indicadores LED para avisar quando a gravação está ativa;
- processamento local de gestos para reduzir envio de dados à nuvem.
Na prática, isso significa que o usuário decide visualmente — e de forma rápida — quando o dispositivo está apto a filmar, algo que faltava no Ray-Ban Display.
Tela monocromática e anel de gestos mantêm experiência imersiva
Sem abrir mão de funções avançadas, o Inmo Go 3 traz display binocular monocromático, assistente virtual integrado e controle por meio de um anel que interpreta movimentos da mão. Apesar da tela em preto e branco, a fabricante argumenta que a solução consome menos bateria e oferece legibilidade superior em ambientes externos.
O hardware ainda inclui alto-falantes de condução óssea, microfones beamforming e bateria estimada para até 5 horas de uso contínuo. Esses números aproximam o produto do Ray-Ban Display, mas com a promessa de maior autonomia graças à tela menos exigente.
Cenário de mercado: oportunidade ou nicho?
Os óculos da Inmo estreiam em campanha de financiamento coletivo com preço inicial de US$ 439, enquanto o Ray-Ban Display parte de US$ 299 nos Estados Unidos. Mesmo mais caro, o Go 3 tenta se diferenciar pelo conjunto “tampas de privacidade + software local”. A estratégia surge em um momento em que legislações de proteção de dados avançam na Europa e na América Latina, aumentando o escrutínio sobre wearables com câmera.
Para criadores de conteúdo, o modelo oferece gravação em primeira pessoa com resolução Full HD e possibilidade de live streaming, mas apenas após a abertura manual das tampas. A mensagem é clara: gravar deve ser um ato consciente, não um deslize acidental.
Resta saber se o argumento de privacidade será forte o bastante para atrair consumidores além do público entusiasta presente no Kickstarter. Enquanto a Meta lida com repercussões legais e de imagem, a Inmo se posiciona como alternativa “segura” para quem quer experimentar realidade aumentada sem receios de exposição.
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Crédito da imagem: Tudocelular Fonte: Tudocelular