Encontrar um celular top de linha por preço de intermediário acontecia uma vez ou outra em campanhas relâmpago, mas raramente com um corte tão agressivo quanto o de agora. O Motorola Edge 60 Pro, versão de 256 GB, despencou de R$ 3.499 para R$ 2.435 no pagamento via Pix, graças ao cupom SMART200 dentro do app da Amazon. É o menor valor já registrado pelo comparador de preços Zoom: 39% abaixo do lançamento.
Para quem cria conteúdo, gerencia anúncios ou simplesmente precisa de um smartphone que aguente gravações em 4K, multitarefas e longas horas fora da tomada, o pacote chama atenção. Mas a pergunta que importa vai além do “quanto custa”: vale entender o que esse salto de preço representa em termos de mercado, tecnologia e futuro dos dispositivos premium no Brasil.
Desconto histórico coloca o Edge 60 Pro sob os holofotes
O corte de 39% não é apenas um “bom negócio”: ele empurra o Edge 60 Pro para uma faixa de preço onde costumamos ver aparelhos intermediários. A oferta é limitada ao pagamento via Pix e requer o uso do cupom SMART200 no aplicativo da Amazon, estratégia que ajuda o varejista a impulsionar vendas no mobile e a capturar dados de consumo mais precisos.
Segundo o histórico do Zoom, nunca antes o modelo atingiu um valor tão baixo, o que, por si só, indica uma movimentação agressiva da Motorola — possivelmente para abrir espaço a futuros lançamentos da linha Edge ou para proteger participação de mercado diante da concorrência asiática cada vez mais voraz em custo-benefício.
Tela, câmera e bateria: o trio de peso do Edge 60 Pro
Display: painel POLED de 6,7″ com bordas curvas (Quad-Curve), taxa de 120 Hz e pico de brilho de 4.500 nits. Na prática, isso significa mais conforto sob sol forte e fluidez visível em jogos ou rolagem de feed.
Câmeras: sensor principal Sony Lytia 700C de 50 MP, ultrawide de 50 MP, teleobjetiva de 10 MP (3× óptico) e frontal também de 50 MP. O pacote é reforçado pelo Moto AI, que sugere e executa ajustes baseados em inteligência artificial. Vídeos chegam a 4K com HDR10+, diferencial útil para criadores que dispensam câmera dedicada.
Bateria: 6.000 mAh, prometendo até 45 h de uso. Carregamento turbo de 90 W, sem fio de 15 W e reverso de 5 W ampliam a autonomia para quem trabalha em campo ou participa de eventos o dia inteiro.
Dimensity 8350 Extreme e construção de flagship
No coração do aparelho está o chip Mediatek Dimensity 8350 Extreme, produzido em 4 nm. Aliado a até 24 GB de RAM virtual via RAM Boost, entrega desempenho robusto em multitarefa e gaming. Em números práticos, significa menos gargalo na edição de vídeos curtos, renderização de Stories e navegação simultânea entre apps de anúncios, analytics e redes sociais.
Imagem: Giovanni Santa Rosa
O acabamento em couro vegano, as certificações IP68/IP69 contra água e poeira e o selo militar MIL-STD-810H reforçam a pegada premium. São pontos que interessam a quem precisa de dispositivo resistente sem abrir mão de estética — algo relevante para repórteres de campo, profissionais de social media em viagens ou usuários que simplesmente dispensam capinha.
Top de linha por preço intermediário: como esse movimento muda o jogo?
Promoções agressivas sempre existiram, mas a combinação de desconto histórico, processador de 4 nm e câmera de 50 MP em todas as frentes sinaliza uma pressão crescente sobre o mercado brasileiro de smartphones. Três repercussões merecem atenção:
1. Compressão de faixas de preço: quando um flagship cai para a casa dos R$ 2 mil, o patamar dos intermediários precisa se reajustar. Consumidores ganham poder de barganha, e marcas rivais serão forçadas a adicionar recursos premium ou rever margens.
2. Validação dos chips Mediatek: o Dimensity 8350 Extreme compete com equivalentes da Qualcomm, mas custando menos às fabricantes. Se o consumo validar a performance, veremos mais tops de linha com SoC Mediatek, o que pode baratear ainda mais o segmento premium.
3. Estratégia de vendas via app: exigir o uso do cupom no aplicativo da Amazon reforça a tendência de descontos exclusivos em canais proprietários. Isso ajuda varejistas a concentrar dados e fidelizar o usuário — informação preciosa para futuros upsells e campanhas de anúncios.
Em resumo, o Edge 60 Pro barato não é apenas uma boa pechincha de domingo: ele aponta para um cenário onde recursos antes restritos a aparelhos de R$ 5 mil se tornam acessíveis ao grande público. Para criadores de conteúdo, profissionais de marketing e entusiastas de tecnologia, a mensagem é clara: esperar alguns meses após o lançamento pode render aparelhos de ponta sem estourar o orçamento, ao mesmo tempo em que pressiona o mercado a inovar e oferecer mais por menos.