Quando um celular anunciado como “intermediário premium” ostenta certificação IP69, vidro Gorilla Glass 7i e uma lente telefoto com zoom óptico de 3x, vale a pena prestar atenção. A Motorola oficializou no Brasil o Edge 60 Neo, modelo que mira usuários que desejam proteção de nível militar, câmeras versáteis e atualização de Android garantida, mas sem pagar o preço de um top de linha completo.
Para quem vive de produzir conteúdo, monitora métricas de blog ou depende do smartphone como ferramenta de trabalho, o pacote chama a atenção: são 12 GB de RAM, opção de até 512 GB de armazenamento e promessa de quatro grandes updates de sistema. Colocado lado a lado com rivais imediatos, como o futuro Galaxy S25 FE, o Edge 60 Neo busca se diferenciar pela robustez física e, principalmente, por recursos voltados a fotografia móvel impulsionada por IA.
Design compacto, mas blindado contra acidentes
Visualmente, o Edge 60 Neo segue a identidade curvada da linha, porém adiciona traseira com textura que imita couro em quatro cores assinadas pela Pantone (Grisaille, Poinciana, Latte e Frostbite). O corpo pesa 174,5 g e mede 8,1 mm de espessura, mas o destaque técnico está na combinação de:
- Vidro Gorilla Glass 7i: promete o dobro de resistência a quedas e arranhões em relação à geração anterior.
- Certificações IP68 e IP69: além da submersão, suporta jatos d’água aquecida, algo raro fora da categoria “rugged”.
- Padrão militar MIL-STD-810H: protege contra variações extremas de temperatura, pressão e impactos.
Em outras palavras, é um dos poucos smartphones não “rugbizados” que aguenta tanto desaforo ambiental sem cases robustas.
Tela de 3.000 nits e chip Dimensity 7400
A parte frontal traz um painel pOLED de 6,36 polegadas (resolução 2.670 × 1.200 px) com taxa de 120 Hz e HDR10+. O brilho máximo informado de 3.000 nits coloca o modelo entre os mais visíveis sob sol direto hoje — dado relevante para quem grava vídeos ao ar livre ou trabalha na rua.
Por dentro, o processador MediaTek Dimensity 7400 (4 nm) trabalha junto a 12 GB de RAM no mercado brasileiro. As opções de armazenamento são 256 GB ou 512 GB, sem slot microSD. Em conectividade, há 5G, Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4 e NFC. O sensor de digitais fica sob a tela e o aparelho sai de fábrica com Android 15, acrescido de atualização garantida até o Android 19 e quase seis anos de patches de segurança bimestrais.
Câmeras turbinadas por IA e bateria de 5.000 mAh
O conjunto óptico aposta em versatilidade:
- 50 MP principal (sensor Sony LYTIA 700C, OIS e PDAF);
- 10 MP telefoto (zoom óptico 3×, OIS);
- 13 MP ultrawide/macro (120°);
- 32 MP frontal com gravação até 4K.
Funcionalidades de software — Meu Estilo, Max Foto Pro, quatro distâncias focais no modo retrato e recursos “O que rolou?” e “Guarde para depois” — usam a suíte Moto AI para automação de seleção de cenas e sumário de conteúdos.
Imagem: Internet
A bateria de 5.000 mAh (200 mAh a menos que a versão global) promete até 44 horas longe da tomada. O carregador de 68 W, incluído, recupera “energia para um dia” em cerca de 7 minutos, segundo a marca; há também recarga sem fio de 15 W.
No Brasil, os preços sugeridos ficaram em R$ 3.149,10 para 256 GB e R$ 3.599,10 para 512 GB, com venda exclusiva no Mercado Livre e no site oficial da Motorola.
Além do couro vegano: por que o Edge 60 Neo pressiona a concorrência intermediária premium?
Colocar certificação IP69 em um modelo que não se vende como “indestrutível” muda a régua de comparação. Até então, resistência extrema era atributo de nicho, não de aparelhos voltados ao grande público. Isso afeta diretamente a narrativa de marcas que capitalizavam no design “sofisticado, mas frágil” para justificar cases e seguros adicionais.
O combo de lente telefoto real + IA também empurra rivais a sair da zona de conforto: intermediários tradicionais oferecem sensor principal e ultrawide, no máximo um zoom digital. Para criadores de conteúdo, isso significa novas possibilidades de enquadramento sem recorrer a acessórios extras ou à perda de resolução.
Outro ponto estratégico é o ciclo de atualizações. A Motorola ficou atrás dos sete anos prometidos por Google e Samsung, mas quatro versões de Android ainda superam a média do segmento e mostram que a marca percebeu a importância de longevidade de software como fator de compra — especialmente para quem monetiza aplicativos, afiliados ou AdSense e não pode ficar preso a bugs de sistema desatualizado.
Se o Edge 60 Neo vai conquistar o público dependerá do quão sensível ele é a detalhes como a bateria ligeiramente menor ou a recarga sem fio de apenas 15 W. Mas ao cruzar resistência militar, pOLED de 3.000 nits, telefoto real e preço abaixo dos flagships clássicos, a Motorola desenha um caminho que pode forçar concorrentes a oferecer mais por menos. E, para o usuário final, esse tipo de pressão costuma ser bem-vinda.