O calendário não perdoa: em 14 de outubro, o Windows 10 deixa oficialmente de receber atualizações gratuitas da Microsoft. Para muitos usuários e empresas, isso significa tomar uma decisão urgente sobre o próximo computador. É justamente nesse momento que a Microsoft entra em cena sugerindo uma rota específica: os novos PCs Copilot+ baseados em processadores Arm — mais exatamente os Snapdragon X Elite e X Plus, da Qualcomm.
A recomendação tem lógica comercial, mas também técnica. Depois de anos de compatibilidade capenga, o Windows 11 amadureceu no suporte à arquitetura Arm e já roda a maioria dos softwares em versão nativa, dispensando emuladores que devoravam energia e desempenho. Ainda assim, muita gente torce o nariz quando escuta “Arm em PC”. Por que a Microsoft insiste nesse caminho? E, mais importante, o que isso muda para quem cria conteúdo, gerencia sites em WordPress ou depende de programas x86 para trabalhar?
Fim do suporte ao Windows 10: o gatilho para a migração
• Data crítica: 14 de outubro de 2025, quando o Windows 10 entra no modo sem atualizações regulares.
• Alternativa paga: suporte estendido de apenas um ano, focado em patches de segurança e com custo adicional.
• Impacto prático: sem correções mensais, aumenta o risco de vulnerabilidades, algo sensível para quem armazena dados de clientes ou monetiza blogs.
O que define um PC Copilot+ com Arm
• Hardware: processadores Snapdragon X Elite e X Plus inauguraram a família em 2024, trazendo NPU (Neural Processing Unit) dedicada a tarefas de IA local.
• Autonomia: até 15 h de navegação web ou 22 h de vídeo, segundo a Microsoft — números que lembram a eficiência dos chips Apple Silicon.
• Desempenho bruto: a gigante de Redmond divulgou benchmarks em que o Snapdragon X Elite supera o MacBook Air M2 em até 85 %, embora testes independentes ainda sejam escassos.
Compatibilidade de software: o ponto de virada
A Microsoft afirma que mais de 90 % do tempo de uso em PCs Arm já ocorre em apps nativos, e publicou uma lista de programas populares prontos para a nova arquitetura. Entre eles:
Navegadores e produtividade: Chrome, Firefox, LibreOffice, Microsoft 365, Teams, Slack, Trello.
Criação de conteúdo: Photoshop, Premiere, Blender, Figma, Paint.NET.
Segurança e utilitários: Bitwarden, McAfee, SentinelOne, Proton VPN, Surfshark, Dropbox, Google Drive.
Mensageria e colaboração: WhatsApp, Telegram, TeamViewer.
A seleção mira justamente o ambiente corporativo, tradicionalmente mais resistente a mudanças de plataforma.
Imagem: Thássius Veloso
Desempenho energético e IA local: onde o Arm quer brilhar
O Windows 11 para Arm não depende mais de emulação para a maioria dos aplicativos listados, liberando recursos da CPU e poupando bateria. Além disso, a NPU integrada executa funções de IA, como legendas automáticas em tempo real ou melhoria de imagens, sem chamar a nuvem — algo que combina privacidade e velocidade, atributos cruciais para profissionais de marketing que lidam com dados sensíveis.
Além do Hype: o Arm entrega hoje ou ainda é aposta para amanhã?
O empurrão da Microsoft faz sentido quando olhamos o cenário competitivo. A Apple provou que migrar para Arm pode resultar em ganhos de autonomia e desempenho, redefinindo a expectativa do usuário sobre laptops. Agora a Microsoft tenta repetir o feito, mas depende de um ecossistema historicamente amarrado ao x86.
Para quem publica conteúdo, edita vídeo ou gerencia campanhas de afiliados, a pergunta central é sobre compatibilidade de fluxos de trabalho. Se seus softwares críticos já possuem versão nativa — caso do Adobe Creative Cloud e dos principais navegadores —, a transição promete máquinas mais frias, silenciosas e com bateria que dura o dia inteiro. No entanto, ferramentas de nicho ou plugins legados podem não ter suporte imediato, obrigando a recorrer à emulação com queda de performance.
Outro ponto estratégico é a IA local. À medida que Google, Meta e OpenAI disputam atenção com modelos generativos, ter poder de inferência no dispositivo diminui latência e custos de API. Para publishers que produzem alto volume de texto ou imagem, isso pode se traduzir em ganho de produtividade real — desde que os recursos Copilot+ não fiquem restritos a demonstrações de palco e cheguem prontos para trabalho pesado.
No fim das contas, o fim do Windows 10 cria um momento de decisão raramente tão claro. Quem precisa trocar de máquina agora deve pesar o custo de manter o velho x86 contra a promessa de um Arm finalmente “adulto”. Se o seu stack de software já está na lista de compatibilidade, o salto pode trazer mais autonomia e, de quebra, colocar IA embarcada no seu workflow. Caso contrário, talvez valha aguardar mais uma geração de hardware ou optar pelos recém-lançados chips x86 com recursos Copilot+, que oferecem compatibilidade total desde o primeiro dia. A Microsoft aposta alto — cabe ao usuário decidir se já chegou a hora de mudar de lado.