Quem acompanha as batalhas de processadores sabe que, até pouco tempo, o domínio em gráficos era quase sinônimo de Apple. Pois o recém-anunciado MediaTek Dimensity 9500 acaba de virar esse roteiro. Em testes independentes divulgados no YouTube, o chip taiwanês não só empatou em CPU como passou à frente do Apple A19 Pro em todos os benchmarks de GPU — um resultado que poucos previram.
Se você cria conteúdo, depende de desempenho em aplicativos pesados ou simplesmente quer entender para onde vão os investimentos de marketing móvel, vale olhar com lupa esses números. Afinal, não se trata apenas de quem marca mais pontos: é uma disputa que redefine preços, estratégias de fabricantes e até a forma como desenvolvedores otimizam seus apps e jogos.
Os testes que mudaram o placar
O canal Xiaobais Tech Reviews usou um smartphone de referência fornecido pela MediaTek e comparou o Dimensity 9500 ao Apple A19 Pro recém-lançado. No Geekbench 6, a Apple ainda leva em single-core (3.981 contra 3.635 pontos, vantagem de 10%), mas a MediaTek vira em multi-core: 10.941 versus 10.798.
Quando o assunto é GPU, o cenário se inverte radicalmente:
- 3DMark Wild Life Extreme: 8.251 pontos para o Dimensity 9500 contra 6.557 do A19 Pro – vantagem de 25%.
- GFXBench Aztec 1440p: 155 FPS versus 96 FPS – diferença de 62% em favor da MediaTek.
- 3DMark Solar Bay Extreme (Ray Tracing): 2.605 pontos contra 2.411 – 8% de vantagem, mesmo em um recurso historicamente favorável à Apple.
Eficiência energética também entra no jogo
Desempenho bruto sem controle térmico não serve de muito. Nos mesmos testes, o Dimensity 9500 atingiu picos de 12,3 W, ligeiramente abaixo dos quase 13 W do A19 Pro. Menos calor significa clock mais estável, aparelhos mais finos e, no fim das contas, maior autonomia — um ponto crucial para quem trabalha ou joga por horas.
Por que é cedo para cravar vencedores?
Os números vêm de um dispositivo de referência, projetado para mostrar o melhor cenário possível do chip. Quando chegar aos smartphones de varejo, o resultado pode variar conforme o sistema de resfriamento, a interface do fabricante e até as políticas de economia de energia. Além disso, a Qualcomm prepara o Snapdragon 8 Elite Gen 5, prometido para esta semana, que pode embaralhar de novo o ranking.
Imagem: Felipe Alencar
Além dos Números: como a vitória da MediaTek redesenha o mercado mobile
Superar a Apple em GPU não é só um troféu de benchmarking; é um sinal de mudança estrutural. Para as OEMs (Samsung, Xiaomi, Oppo), a MediaTek deixa de ser a opção “custo-benefício” e passa a disputar espaço em modelos premium, forçando negociações de preço e contratos de exclusividade mais agressivos. Quem ganha é o consumidor, que pode ver aparelhos topo de linha com etiquetas menos salgadas.
Para desenvolvedores de jogos e apps 3D, o resultado libera margem para elevar gráficos e efeitos em Android sem medo de sacrificar performance. Mais gente rodando ray tracing no bolso significa novos padrões de qualidade, o que, por tabela, aumenta o tempo médio de sessão em apps e cria terreno fértil para formatos de anúncios mais imersivos.
No ecossistema de criadores de conteúdo – de vloggers a editores de vídeo mobile – a equação muda porque processamento gráfico mais forte costuma vir junto de ISPs e encoders avançados. Gravar em 4K HDR, editar e publicar direto do smartphone pode deixar de ser exceção para virar norma, impactando desde o fluxo de trabalho no WordPress até estratégias de SEO em vídeo.
Por fim, a Apple sente pressão onde sempre liderou. Se quiser manter o halo de “chip mais potente”, terá de acelerar ciclos de inovação ou rever políticas de precificação. Em um ano com taxas de câmbio instáveis, cada ponto percentual de eficiência e custo conta. É o tipo de corrida que, quanto mais acirrada, melhor para quem depende de tecnologia para produzir, comunicar e – acima de tudo – inovar.