Conseguir encaixar alto desempenho, bateria minimamente confiável e câmeras de respeito em um corpo com menos de 6 mm não é tarefa trivial. Ainda assim, Apple e Samsung fizeram exatamente isso em 2025 com o lançamento do iPhone Air e do Galaxy S25 Edge. Para quem cria conteúdo, monetiza blogs ou simplesmente precisa de um dispositivo que aguente trabalho pesado o dia todo, entender as diferenças entre essas duas abordagens é bem mais do que curiosidade geek: pode influenciar decisões de compra, otimização de fluxo de trabalho e até estratégias de produção mobile.
Ambos chegam com molduras de titânio, telas de 120 Hz e chips de 3 nm, mas cada fabricante apostou em prioridades distintas. A Apple focou em um corpo unibody e no processamento local de IA; a Samsung, em câmeras de altíssima resolução, recarga turbinada e integração com modelos generativos na nuvem. A seguir, destrinchamos ponto a ponto onde cada aparelho brilha — ou tropeça — para que você saiba exatamente o que ganha (e o que perde) ao escolher um deles.
Espessura não é tudo: design e construção
O iPhone Air mede 156,2 × 74,7 × 5,6 mm e pesa 165 g, exibindo um corpo unibody de titânio grau 5 revestido por vidro Ceramic Shield nas duas faces. Essa peça única reduz pontos de tensão e oferece um visual minimalista, mas torna reparos mais caros.
O Galaxy S25 Edge vem ligeiramente maior (158,2 × 76,5 × 5,8 mm; 163 g) e adota construção modular: titânio na moldura, vidro Gorilla Glass Victus 2 nas faces. O design segmentado facilita trocas de vidro e pode transmitir leve flexibilidade ao toque. Ambos trazem certificação IP68.
Tela: brilho ou definição, eis a questão
A Apple emprega um painel Super Retina XDR OLED de 6,5 polegadas, taxa adaptativa de 120 Hz (ProMotion) e impressionantes 3.000 nits de pico — nenhuma outra tela mobile chega tão longe em visibilidade sob sol forte. O revestimento anti–reflexo amortiza ainda mais o brilho ambiente.
A Samsung responde com um LTPO AMOLED 2X de 6,7 polegadas, 1440 × 3120 píxels e também 120 Hz. O pico de 1.416 nits é menor, porém a densidade de pixels supera a do rival e o suporte a HDR10 + favorece quem consome muito vídeo.
Desempenho e processamento de IA
No iPhone Air, o A19 Pro (3 nm, seis núcleos) trabalha em sintonia estreita com o iOS 26 e 12 GB de RAM. A Apple projeta hardware, sistema e Neural Engine como um único bloco, privilegiando eficiência térmica e processamento local de IA para tarefas como transcrição de áudio e resumo de mensagens.
O Galaxy usa o novo Snapdragon 8 Elite (3 nm, oito núcleos) mais GPU Adreno 830 e também 12 GB de RAM. A Samsung combina o modelo proprietário Gauss com o Google Gemini, oferecendo geração de imagens, traduções em tempo real e resumos de chamadas diretamente na One UI 7.
Benchmarks mostram empate na performance bruta, mas o Air mantém clocks mais estáveis em sessões longas; o Edge entrega picos maiores em jogos quando o modo Performance+ é ativado.
Câmeras: menos sensores ou mais megapixels?
A Apple adotou um único sensor traseiro de 48 MP (f/1.6) com OIS. A magia está na fotografia computacional: fusão de exposições e reconstrução de detalhes em tempo real geram imagens limpas, com cores naturais e ótima consistência em baixa luz.
A Samsung preferiu volume: sensor principal ISOCELL HPX de 200 MP (f/1.7) e ultrawide de 12 MP. O agrupamento 16-in-1 gera arquivos de 12,5 MP carregados de alcance dinâmico. Vídeos chegam a 8K @ 30 fps ou 4K @ 120 fps, enquanto o iPhone se limita a 4K @ 60 fps, porém com estabilização superior em ProRes HDR.
Imagem: Internet
Na prática, quem gosta de imagens “prontas para o feed” vai curtir o contraste e a saturação do Edge; quem prefere cores fiéis e menor ruído tende a escolher o Air.
Bateria e carregamento: eficiência versus velocidade
Com 3.200 mAh, o iPhone pode parecer acanhado, mas o combo A19 Pro + ProMotion garante até 17 h de streaming de vídeo. O carregamento permanece em 25 W via USB-C e 15 W no MagSafe, acrescido de um modo adaptativo que preserva a saúde da célula.
O Galaxy carrega um módulo de 3.400 mAh, chega perto do mesmo tempo de tela e oferece recarga rápida de 45 W: 0 → 50 % em cerca de 20 min. Ambos suportam carregamento reverso para acessórios.
Conectividade e ecossistema
No iPhone Air, encontramos 5G, Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4 e dual eSIM. A integração com macOS, iPadOS e watchOS ganha novas camadas — AirDrop 2.0 e Handoff Neural — que simplificam o fluxo de arquivos e áudio.
O Galaxy S25 Edge aposta em 5G, Wi-Fi 7 e a combinação eSIM + nano-SIM físico. O aparelho espelha sua tela em notebooks Galaxy, TVs e tablets, podendo funcionar como painel de produtividade secundário.
Além da Fina Espessura: o que essas duas estratégias contam sobre o futuro do mobile
Mesmo partindo da mesma meta — criar o smartphone mais fino do portfólio —, Apple e Samsung revelam filosofias quase opostas:
- Apple: menos componentes, mais controle. O iPhone Air mostra que a empresa prefere sacrificar versatilidade de câmera e velocidade de recarga em nome de consistência térmica, design minimalista e privacidade de IA local. Para criadores que dependem de gravações longas em ambientes externos, o brilho recorde e a estabilidade de clock podem compensar o preço maior.
- Samsung: mais recursos, preço agressivo. Ao colocar um sensor de 200 MP, Wi-Fi 7 e 45 W de carregamento em um aparelho de R$ 4.199, a marca aponta para um público que quer experimentar tudo o que é novo — inclusive IA generativa em tempo real — sem desembolsar valores de segmento premium absoluto. Isso atrai vloggers, jogadores mobile e profissionais de marketing que precisam produzir e subir conteúdo rápido.
Para o ecossistema mobile como um todo, o duelo indica dois caminhos claros. De um lado, dispositivos ultrafinos podem manter autonomia aceitável via otimizações de software e litografia avançada, estimulando designers a ousar ainda mais em portabilidade. De outro, a integração massiva de IA generativa em aparelhos Android sinaliza que, em breve, a fase “assistente contextual” será considerada básica — inclusive para quem monetiza conteúdo e precisa de legendas ou traduções instantâneas.
No fim, a escolha deixa de ser apenas “qual ficha técnica é melhor” e passa a refletir qual metodologia de trabalho você adota. Se workflow fechado, foco em privacidade e previsibilidade a longo prazo são cruciais, o iPhone Air entrega tudo isso em embalagem impecável. Se velocidade de carga, criatividade assistida por IA e custo-benefício pesam mais, o Galaxy S25 Edge soa como a aposta lógica. Cada centímetro (ou melhor, cada fração de milímetro) desses aparelhos conta uma história diferente de onde — e como — a indústria de smartphones pretende evoluir.