O corte de quase um terço no valor do iPad de 11ª geração (128 GB) chamou atenção nesta semana. O tablet, lançado em março de 2025 a preço cheio, aparece por cerca de R$ 3.202 no pagamento via Pix na Amazon — redução de 29% em relação ao valor oficial. Para quem cria conteúdo, estuda ou trabalha com marketing e precisa de um dispositivo portátil de alto desempenho, a notícia soa tentadora. Mas, além do bolso, há um pano de fundo interessante: por que a Apple (conhecida por manter preços firmes por longos períodos) estaria permitindo um desconto tão cedo?
Neste artigo você encontra os números crus, as especificações do modelo e, principalmente, a interpretação do movimento: impacto no mercado de tablets, efeitos para desenvolvedores de apps e indícios sobre a próxima geração de produtos da marca.
A matemática do desconto: de R$ 4.499 para R$ 3.202
• Preço original de lançamento (mar/2025): cerca de R$ 4.499.
• Preço avistado nesta semana (Pix na Amazon): R$ 3.201,67.
• Diferença nominal: R$ 1.297,33.
• Percentual de queda: 29%.
O valor reduzido só aparece na tela final de checkout, o que indica acordo pontual entre varejista e distribuidor, e não um reajuste de tabela da própria Apple. Estratégias assim costumam durar poucos dias ou até esgotar o lote.
O que entrega o iPad de 11ª geração (2025)
Processador e memória: Apple A16 Bionic (mesmo chip usado no iPhone 15), acompanhado de 6 GB de RAM.
Armazenamento: 128 GB, podendo chegar a 512 GB em outras versões.
Tela: 11″ Liquid Retina, resolução 2.360 × 1.640 pixels, brilho típico de 500 nits, suporte a stylus.
Câmeras: traseira de 12 MP com gravação 4K; frontal ultrawide de 12 MP, voltada para videochamadas.
Áudio: alto-falantes estéreo.
Bateria: 28,93 Wh, recarga rápida de 45 W.
Conectividade: Wi-Fi 6 e Bluetooth 5.3.
Na prática, o conjunto permite rodar apps exigentes — de ilustração (Procreate) a ferramentas de produtividade em nuvem — sem engasgos. Para quem monetiza conteúdo, o suporte ao Apple Pencil facilita a criação de storyboards, thumbnails e layouts rápidos.
Dia das Crianças vira data estratégica para tablets premium
Nos últimos anos, o mercado brasileiro viu uma migração do “tablet de entrada” para modelos mais robustos, impulsionada pelo ensino remoto e pelo consumo de vídeo em alta resolução. Em 2024, as vendas se concentraram em períodos como Black Friday e volta às aulas. A proximidade do Dia das Crianças (12 de outubro) adiciona outro pico de demanda, principalmente entre pais dispostos a investir em dispositivos que duram mais de um ciclo escolar.
Imagem: reprodução
O varejo costuma negociar com fornecedores para garantir estoques no começo de outubro. Descontos agressivos funcionam como vitrine: atraem tráfego para o site e elevam o ticket médio, mesmo quando o objetivo final do consumidor não é exatamente o modelo em oferta.
Além da etiqueta: por que a Apple “deixa” um iPad cair 29%?
Historicamente, a Apple mantém preços oficiais até que uma nova geração substitua a anterior. Quando vemos cortes profundos em canais autorizados, três fatores costumam estar em jogo:
- Gestão de inventário: o estoque do modelo 2025 precisa girar antes do anúncio da linha 2026, esperado para março do ano que vem. Varejistas pressionam por descontos para evitar encalhe no Natal.
- Câmbio e incentivos: flutuações do dólar podem criar janelas em que a margem do canal cresce, permitindo repasses temporários ao consumidor.
- Competição de ecossistema: Samsung, Xiaomi e Lenovo vêm encorpando portfólio premium com caneta, telas de 120 Hz e integração DeX/PC. Manter o iPad em evidência, mesmo com preço menor, reduz a fuga de usuários do iOS.
Para criadores, estudantes e profissionais de marketing, o cenário traz oportunidades e alertas. Oportunidade porque um dispositivo que normalmente fica acima dos R$ 4 mil aparece por pouco mais de R$ 3 mil. Alerta porque o desconto sinaliza que uma atualização de hardware (talvez com chip M-series ou display OLED) está próxima; quem prioriza longevidade máxima pode preferir esperar.
Em suma, a queda de preço não é apenas uma promoção isolada: é termômetro de estoque, pista sobre o timing da próxima geração e lembrete de que a competição no topo do mercado de tablets se acirrou. Para o usuário, vale pesar o custo-benefício imediato contra a possibilidade de novidades a curto prazo — mas, no momento, poucas máquinas portáteis unem desempenho, suporte a acessórios e ecosistema de apps como este iPad por esse valor.