Imagine um assistente de inteligência artificial que nunca fica cansado, não pede férias e executa qualquer instrução de forma impecável — inclusive as instruções erradas. Esse cenário já não pertence à ficção científica; é a rotina de uma terça-feira comum em muitas empresas. Enquanto esses agentes autônomos ganham privilégios de sistema para rodar códigos, acessar bancos de dados e tomar decisões sem supervisão humana, a pergunta que vale milhões de dólares é simples: quem (ou o quê) tem acesso aos seus sistemas críticos — e como provar que esse acesso é seguro?
O novo relatório Horizons of Identity Security 2025-2026 da SailPoint coloca a gestão de identidade no centro da estratégia de cibersegurança. Os dados mostram que proteger credenciais humanas e não humanas deixou de ser um item de compliance para se tornar a primeira (e, às vezes, a última) linha de defesa. Para quem trabalha com sites WordPress, monetização via AdSense ou administra infraestruturas corporativas, o recado é claro: o perímetro não está mais nas paredes do datacenter, mas no login.
Por que a identidade virou a barreira principal
Modelos antigos baseados em firewall e antivírus funcionavam quando os dados ficavam em um mesmo lugar e os usuários estavam dentro do escritório. A economia digital, porém, dissolveu essa fronteira. Hoje, usuários, sistemas e repositórios de dados se conectam de forma altamente distribuída — e a identidade é o ponto de interseção. O relatório da SailPoint descreve essa mudança como a passagem de um “controle de back-office” para uma função de missão crítica.
Explosão de agentes de IA amplia a superfície de ataque
Uma estatística assusta: menos de 4 em cada 10 agentes de IA são governados por políticas formais de identidade. Isso significa que a maioria opera sem regras claras sobre quem pode fazer o quê. Para cibercriminosos, trata-se de uma porta aberta. Cada script automatizado, cada integração via API e cada robô de atendimento representa uma credencial a ser explorada.
ROI e maturidade: o lado lucrativo da governança de identidade
Apesar do risco crescente, há um ponto positivo para quem investe na área. Segundo o estudo, programas maduros de identidade geram o maior retorno sobre investimento (ROI) entre todas as disciplinas de segurança. Empresas com sincronização de dados em tempo real e recursos de detecção de ameaças baseados em IA economizam mais e reduzem incidentes com maior eficácia. Elas são quatro vezes mais propensas a adotar recursos como Identity Threat Detection and Response.
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O abismo entre empresas maduras e iniciantes
O mesmo relatório aponta que 63% das organizações ainda estão nos estágios iniciais de maturidade (Horizons 1 ou 2). Não avançar significa retroceder: a versão 2025 do framework adicionou sete novos requisitos para cobrir vetores emergentes, elevando o sarrafo. Entidades que tratam Identity & Access Management (IAM) apenas como checklist de compliance ficam presas a controles obsoletos, acumulando risco enquanto imaginam estar seguras.
Do login ao lucro: como a gestão de identidade vai decidir os próximos campeões do mercado
A lição que fica é que identidade deixou de ser um detalhe técnico e passou a ser um fator competitivo. Organizações que conseguem provar, em auditorias ou incidentes, quem acessou o quê — e por que — ganham tempo de resposta, confiança do mercado e economizam milhões em danos reputacionais. Em um ambiente onde agentes autônomos tomam decisões de negócios, a fronteira entre segurança e eficiência operacional desaparece. Logo, a capacidade de governar identidades humanas e não humanas se tornará o critério que separa líderes de coadjuvantes na próxima década digital.
No fim das contas, a questão não é mais se sua empresa adotará uma estratégia de identidade robusta, mas quando — e quão preparada ela estará para um futuro em que cada linha de código representa uma potencial porta de entrada. A organização que entender isso primeiro terá não apenas a melhor defesa, mas também a vantagem de inovar com confiança.