Uma bateria que promete quase um mês longe da tomada, medidor de potência para ciclistas embutido no pulso e um GPS redesenhado para trilhas sem sinal de celular. Com esse pacote, a Huawei revelou nesta sexta-feira (19/09) sua nova linha de relógios inteligentes Watch GT 6 durante evento em Paris — e já cravou data de estreia no Brasil: 1º de outubro, em pré-venda.
Para quem depende do smartwatch como aliado de treino, fonte de dados de saúde ou mesmo ferramenta de trabalho (criadores de conteúdo fitness, influencers ou marcas esportivas), a atualização mira exatamente na dor de cabeça mais comum: autonomia limitada e sensores pouco confiáveis em atividades outdoor. A empresa chinesa quer ocupar esse espaço antes dominado por Garmin e Apple Watch Ultra, mas com preços que começam em R$ 1.999.
Watch GT 6 Pro inaugura medidor de potência virtual para ciclismo
A estrela do lançamento é o Watch GT 6 Pro. Em caixa de 46 mm de titânio e tela AMOLED de 1,47″, ele traz:
- Medidor de potência nativo: calcula watts usando velocidade, inclinação e peso do ciclista, dispensando acessórios externos;
- Conexão com medidores profissionais para quem quer precisão milimétrica;
- ECG integrado e análise de arritmia por onda de pulso;
- Corpos de pulseira nas cores preta, marrom e titânio;
- Preço inicial de R$ 2.499 no Brasil.
Watch GT 6: dois tamanhos, mesmo GPS Sunflower, foco em público geral
O Watch GT 6 chega em versões de 41 mm e 46 mm. Ambos mantêm o novo Sunflower Positioning System, um GPS de cinco bandas projetado para ambientes com sinal fraco, mas perdem o modo avançado de corrida em trilha presente no Pro. Ainda assim, entregam:
- Autonomia de até 21 dias (uso leve) e mínimo de 7 dias com Always On Display ativo;
- Ferramentas de saúde feminina — ciclo menstrual, janela fértil e previsões de ovulação;
- Preço a partir de R$ 1.999.
Watch Ultimate 2 leva mergulho a 150 m e comunicação sonar
Para quem busca luxo e performance subaquática, o Watch Ultimate 2 amplia a resistência de 5 ATM para 20 ATM (150 m). O diferencial é a comunicação via sonar:
- Troca de mensagens até 30 m de profundidade entre relógios;
- Sinal de SOS que alcança 60 m;
- Sensor lateral X-Tap que mede sete parâmetros de saúde em 60 segundos, prometendo leitura fiel mesmo em pulsos tatuados.
Atualização do Watch D2 e novos smartphones Nova 14
O Watch D2 surge agora em azul, com lembretes aprimorados de pressão arterial e medições ambulatoriais. Já a linha de smartphones Nova 14 aposta em retratos turbinados por IA, enquanto o tablet MatePad 12 X PaperMatte busca reduzir reflexos e cansaço ocular. Por ora, ambos sem data para o mercado brasileiro.
Wearables que Pensam como Treinadores: por que a Huawei dobrou a aposta em sensores e autonomia?
A Huawei percebeu um movimento claro no segmento de vestíveis: usuários avançados — atletas amadores, ciclistas de final de semana e creators do nicho fitness — estão cansados de carregar cabos extras na mochila e de exportar dados para acessórios complementares. Ao integrar medidor de potência, GPS multibanda e ECG em um único corpo, a marca tenta entregar o “kit completo” sem elevar o ticket para patamares de Garmin Enduro ou Apple Watch Ultra.
Imagem: divulgação
Do ponto de vista de mercado, essa estratégia coloca pressão sobre concorrentes que ainda fragmentam a experiência (relogio + sensor externo). Para blogs especializados em saúde, isso gera conteúdo comparativo valioso. Para quem monetiza com AdSense ou links de afiliados, a discussão sobre “vale a pena trocar?” deve ganhar tráfego, principalmente perto da Black Friday.
No ecossistema mobile, a homologação prévia na Anatel indica que a marca não quer repetir atrasos do passado — algo crítico quando o consumidor brasileiro busca novidades em sincronia com o resto do mundo. Ao mesmo tempo, o suporte a até 21 dias de bateria pode provocar uma mudança de percepção: se a promessa se confirmar nos reviews, a autonomia deixa de ser argumento exclusivo das marcas focadas em esportes pesados.
Por fim, o uso de sonar no Watch Ultimate 2 sinaliza uma nova vertical de nicho: mergulhadores recreativos e instrutores. É um recado claro de que o próximo campo de batalha dos wearables não será apenas a superfície — e que sensores específicos podem virar o fator de diferenciação nos modelos premium.
Em resumo, a linha Watch GT 6 mostra que a Huawei insiste em competir com mais bateria e mais sensores, enquanto amarra seu ecossistema ao HarmonyOS. Se a experiência entregar o que promete, a discussão sobre qual smartwatch comprar no fim de 2024 deve ficar bem mais interessante — e, com ela, o volume de busca e pauta para quem produz conteúdo tech e de bem-estar.