Grammarly Experts Review chegou ao fim após o CEO Rahul Roy-Chowdhury reconhecer publicamente que “o recurso não era bom” e prometeu “fazer muito melhor”, encerrando a polêmica que envolvia a utilização do nome de especialistas vivos sem autorização para dar conselhos de escrita aos usuários.
Por que o Experts Review virou dor de cabeça para a empresa
Lançado em fase beta, o Experts Review exibiu sugestões assinadas por autores e pesquisadores renomados, passando a impressão de uma revisão humana real. Rapidamente, escritores citados descobriram que jamais haviam colaborado com o projeto e criticaram a prática. A repercussão negativa levantou questionamentos éticos sobre uso de imagem, consentimento e transparência em ferramentas de IA generativa.
Em entrevista concedida durante conferência de tecnologia, Chow-Chowdhury admitiu que a proposta “parecia interessante no papel, mas não funcionou na prática”. Segundo o executivo, o modelo se limitava a replicar estilos literários aprendidos por IA, sem envolvimento direto dos profissionais mencionados. O resultado foi um efeito contrário ao desejado: em vez de agregar credibilidade, o recurso passou a ser visto como marketing enganoso.
Para o usuário, a principal frustração era descobrir que o “aval de especialistas” não passava de texto sintético, o que comprometia a confiança na plataforma. A remoção definitiva ocorreu poucas semanas depois das primeiras críticas públicas.
Substituto foca em dados internos e IA, mas ainda divide opiniões
No lugar do Experts Review, o Grammarly começa a liberar o Advanced Writing Insights, painel que organiza sugestões por clareza, concisão, tom e impacto, baseando-se exclusivamente em métricas internas e em seu modelo proprietário de IA. Não há mais menções a autores famosos, mas a mudança traz dois pontos sensíveis:
- O novo painel é restrito aos planos pagos Premium e Business, deixando usuários gratuitos sem acesso às análises aprofundadas.
- As recomendações continuam geradas por IA, porém agora sem “rosto” humano, o que pode reduzir o apelo de autoridade percebida.
Chow-Chowdhury afirma que a empresa estuda parcerias formais com escritores para conteúdos educacionais futuros, mas reforça que qualquer próxima etapa “precisará de consentimento explícito e modelo de remuneração justo”. Até lá, a aposta é fortalecer a experiência de feedback em tempo real, recurso que mais retém assinantes, segundo o executivo.
Especialistas em ética de IA ouvidos pelo The Verge lembram que a reação negativa ao Experts Review serve de alerta para todo o setor: transparência sobre origem do conteúdo gerado é condição mínima para manter credibilidade e evitar processos judiciais.
O cancelamento do Experts Review evidencia como decisões precipitadas podem afetar a confiança em produtos baseados em IA. Para acompanhar outras análises sobre impactos e tendências que moldam o mercado de tecnologia, visite nossa editoria de análise de tecnologia.
Crédito da imagem: Techradar Fonte: Techradar