Se o seu aplicativo bancário funciona sem engasgos, há boas chances de um programa escrito em COBOL — linguagem criada há 65 anos — estar trabalhando nos bastidores. O problema é que encontrar quem entenda esse código hoje é quase tão difícil quanto achar um unicórnio. A estimativa é de cerca de 200 bilhões de linhas de COBOL ainda em produção, sustentando bancos, seguradoras e governos, ao mesmo tempo em que os especialistas originais se aposentam.
Em 14 de outubro de 2025, o GitHub detalhou como Copilot e uma arquitetura de agentes autônomos de IA estão virando esse jogo. A solução, liderada pela “Global Black Belt” da Microsoft Julia Kordick, mostra que você não precisa se tornar expert em COBOL para modernizar mainframes. Em vez disso, combina-se o conhecimento de domínio dos veteranos com a capacidade de análise e geração de código da IA.
Para desenvolvedores, equipes de TI e até criadores de conteúdo que monetizam seu site escrevendo sobre tecnologia, entender esse movimento revela um terreno fértil de oportunidades — de novos serviços de consultoria a tutoriais que ranqueiam bem no Google quando o assunto é “modernização de legado”.
COBOL ainda roda o mundo — mas os especialistas estão sumindo
Apesar da idade, COBOL continua vital: processa milhões de transações de ATM por dia e mantém bases críticas de dados em instituições financeiras. O gargalo não é o desempenho do mainframe, mas a escassez de profissionais que saibam o que aquele bloco de código realmente faz. Resultado: empresas convivem com sistemas que “funcionam, mas ninguém mexe”.
Copilot como “pincel arqueológico” para decifrar código legado
A primeira etapa proposta pela Microsoft é tratar o Copilot como uma ferramenta de escavação:
- Extração de lógica de negócio direto do arquivo COBOL.
- Documentação automática em Markdown, servindo como nova fonte da verdade.
- Mapeamento de dependências e cadeias de chamadas, removendo comentários irrelevantes e classificando o que importa.
COBOL possui uma estrutura rígida — IDENTIFICATION, ENVIRONMENT, DATA e PROCEDURE DIVISION — que facilita a vida do modelo de IA. Prompts do tipo “Liste todas as estruturas definidas na DATA DIVISION e explique seu propósito” já produzem resumos compreensíveis em inglês simples, mesmo para quem nunca escreveu uma linha de COBOL.
Fluxo de trabalho com agentes: da análise ao código moderno
Quando o projeto cresce, entra em cena um framework baseado no Microsoft Semantic Kernel, orquestrando múltiplos agentes especializados:
- DependencyMapperAgent traça chamadas e gera diagramas Mermaid.
- COBOLAnalyzerAgent consolida a lógica de negócio.
- JavaConverterAgent produz código moderno que passa nos testes gerados.
O processo é semelhante a uma linha de montagem: cada agente tem uma tarefa restrita e a camada de orquestração controla a passagem de bastão. A equipe ainda mantém pontos obrigatórios de validação humana.
Imagem: Internet
Limitações, custos e o roteiro open source da Microsoft
Julia Kordick alerta: “Qualquer um que prometa resolver mainframe com um clique está mentindo”. Entre os gargalos atuais estão:
- Automação incompleta — pleno “one-click” ainda distante pelo menos cinco anos.
- Cada base COBOL é única, exigindo ajustes finos nos prompts.
- Custos controlados, porém existentes: cerca de US$ 2 a US$ 5 para cada mil linhas analisadas pela IA.
Mesmo assim, o código-fonte do framework está aberto em aka.ms/cobol, acompanhado de um script doctor.sh que verifica dependências e inicia a jornada de modernização.
Além da Sobrevivência: o que a modernização assistida por IA sinaliza para desenvolvedores e empresas
O movimento mostra que IA generativa não elimina, mas multiplica o valor do especialista humano. A combinação funciona porque:
- Veteranos traduzem nuances de negócio que o modelo não enxerga.
- Desenvolvedores modernos aplicam práticas de arquitetura em nuvem.
- A IA faz a ponte, extraindo padrões e gerando código de transição.
Na prática, isso encurta projetos antes orçados em cinco anos — e milhões de dólares — para ciclos iterativos de meses, mantendo o know-how dentro da empresa. Para quem cria conteúdo, há uma base crescente de leitores buscando guias de “como usar Copilot para entender legado”, um nicho ainda pouco explorado. Já profissionais de marketing podem observar outra tendência: organizações evitando contratos de conversão “caixa-preta” e, em vez disso, investindo em ferramentas que garantem transparência e rastreabilidade de cada linha modernizada.
Em última análise, a história deixa claro que o legado não precisa ser um fardo perpétuo; com IA, mesmo um código de 65 anos ganha fôlego para seguir relevante em uma arquitetura que conversamos hoje, em 2025.