Quando a Samsung coloca a sigla “FE” em um produto, a promessa costuma ser simples: entregar boa parte do que existe nas linhas premium a um preço que não machuque (tanto) o bolso. Foi assim com o Buds FE em 2023 e é essa a ambição do recém-anunciado Galaxy Buds 3 FE. Mas, afinal, o que saiu de cena, o que entrou e por que isso importa para quem usa fones no dia a dia, cria conteúdo de áudio ou depende de chamadas de voz em locais barulhentos?
Nas próximas linhas, destrinchamos ponto a ponto as diferenças entre os dois modelos, passamos pelos ganhos técnicos e fechamos com uma análise de como essa atualização dialoga com tendências como IA embarcada e convergência de dispositivos no ecossistema Galaxy.
Design, conforto e resistência
Novo formato com haste: o Buds 3 FE abandona o formato “botão” arredondado do Buds FE e adota haste semelhante à dos Buds 3 premium. Isso distribui melhor o peso e reduz a pressão dentro do canal auditivo, algo relevante para quem passa horas editando áudio ou participando de reuniões.
Cores repaginadas: acabamento fosco em preto ou cinza, com detalhes semitransparentes. O antecessor oferecia grafite ou branco.
Proteção reforçada: classificação IP54 (poeira + respingos). O Buds FE se limitava a IPX2, que cobre apenas gotas leves de água.
Qualidade de som e recursos inteligentes
Driver maior: a Samsung informa alto-falante de diâmetro superior, garantindo graves mais profundos e agudos mais limpos.
Cancelamento de ruído aprimorado: ambos têm ANC, mas o Buds 3 FE promete isolamento mais eficaz graças a algoritmos atualizados.
Crystal Clear Call: nova tecnologia de captação, baseada em aprendizado de máquina, isola a voz do usuário e desloca os microfones em direção à boca para melhorar chamadas em ambientes ruidosos.
Áudio 360: exclusivo do Buds 3 FE quando pareado a celulares ou tablets Samsung com One UI 3.1+. Gera sensação espacial que pode ajudar editores a pré-avaliar mixagens imersivas.
Galaxy AI e Google Gemini: recurso Interprete para tradução em tempo real permanece, mas o novo modelo ganha integração direta com o Gemini via comando “Ei, Google”.
Imagem: Samsung
Gestos na haste: deslizar para volume, pinça para play/pause e troca de faixas, ausentes no Buds FE.
Bateria, conectividade e preço
Autonomia inalterada: até 8h30 sem ANC ou 6h com ANC; 24-30 h usando o estojo de recarga em ambos os fones.
Auto Switch: segue presente, alternando automaticamente o áudio entre celular, tablet e até notebook Galaxy.
Valores de lançamento: Buds 3 FE chega por R$ 989,10 no site oficial; Buds FE estreou a R$ 699 em 2023 e hoje já aparece por menos em varejistas. A diferença de preço concentra-se nas adições de hardware e de software baseadas em IA.
Além do Preço: como o Buds 3 FE revela a próxima fase do ecossistema Galaxy
O lançamento não é apenas um “upgrade de som”. Ao migrar o design de haste dos modelos premium para a linha econômica, a Samsung sinaliza que quer uniformizar linguagem visual e controles por gestos em toda a família Buds. Isso reduz atrito quando o usuário alterna entre faixas de preço, algo essencial para fidelizar quem já usa celulares Galaxy — exatamente o público mais propenso a comprar acessórios oficiais.
A inclusão de IA on-device (tradução simultânea, machine learning para chamadas) no ticket intermediário mostra que esses recursos deixaram de ser “luxo”. Na prática, usuários comuns ganham ferramentas antes reservadas a topos de linha, enquanto desenvolvedores de apps de produtividade precisam considerar que áudio 360, voz mais limpa e integrações com o Gemini já estão na base instalada.
Por fim, a resistência IP54 e o driver maior sugerem foco em criadores que gravam em ambientes menos controlados: do videomaker que capta áudio outdoor ao podcaster que viaja leve. Somada à autonomia mantida, a equação resulta em um fone que tenta equilibrar versatilidade profissional com preço ainda “pagável”, reforçando a estratégia da Samsung de popularizar seu ecossistema sem obrigar o salto direto para a linha Pro.
Em resumo, o Buds 3 FE não redefine a categoria, mas deixa claro que IA, áudio espacial e usabilidade avançada se tornarão rapidamente o novo mínimo aceitável nos wearables de 2025 em diante.