Fábrica de IA da Roche ganha reforço de 2.176 GPUs NVIDIA Blackwell, ultrapassa a marca de 3.500 unidades e se torna a maior infraestrutura híbrida de computação acelerada já anunciada por uma empresa farmacêutica, com potencial para reduzir meses de trabalho em pesquisa, testes clínicos e produção de medicamentos.
Expansão consolida a maior operação de IA da indústria farmacêutica
Anunciada como a “próxima fase” da parceria iniciada em 2023, a nova leva de GPUs Blackwell foi instalada em data centers nos Estados Unidos e na Europa e integrada a serviços de nuvem já utilizados pela Roche. Segundo a companhia, o cluster passa a funcionar como uma verdadeira fábrica de IA, capaz de rodar modelos de linguagem, visão computacional e simulações moleculares em escala que antes exigiam semanas de processamento.
O número chama atenção: são mais de 3.500 GPUs de última geração dedicadas exclusivamente a acelerar descoberta de moléculas, análises genômicas e criação de gêmeos digitais de linhas de produção. Para efeito de comparação, laboratórios com centenas de GPUs já figuram entre os maiores players de saúde – a Roche multiplicou esse poder por mais de dez vezes.
Em declaração oficial, Wafaa Mamilli, Chief Digital and Technology Officer, reforçou que “tempo é a variável mais crítica em saúde” e que cada dia economizado coloca tratamentos vitais mais rapidamente nas mãos dos pacientes.
O que muda na prática para P&D, fabricação e diagnóstico
A companhia detalhou como o supercomputador será distribuído ao longo da cadeia de valor:
- P&D acelerada: a plataforma NVIDIA BioNeMo alimenta o sistema Lab-in-the-Loop, conectando experimentos biológicos a modelos preditivos que testam hipóteses em minutos.
- Fabricação otimizada: gêmeos digitais construídos no NVIDIA Omniverse permitem simular linhas inteiras de produção antes de qualquer ajuste físico, reduzindo custos e falhas.
- Diagnóstico de precisão: o software NVIDIA Parabricks processa grandes conjuntos de dados genômicos para identificar padrões de doenças com mais rapidez.
- IA conversacional segura: com NeMo Guardrails, a Roche mantém chatbots médicos alinhados a protocolos de segurança e privacidade.
Para Aviv Regev, vice-presidente executiva da Genentech, o poder extra viabiliza modelos “de fronteira” que encurtam o trajeto do insight biológico ao medicamento salvador de vidas. A executiva destaca que a empresa pioneira no uso de IA em laboratório há cinco anos agora tem capacidade de escalar a estratégia globalmente.
Brasil entra no radar com pesquisa clínica e qualificação em IA
No Brasil, a Roche investiu R$ 590 milhões em pesquisa clínica só em 2025, totalizando R$ 1,7 bilhão nos últimos três anos. São mais de 100 estudos ativos, 40 moléculas investigadas e quase 3 mil pacientes distribuídos em 216 centros de pesquisa. Esses dados alimentam, em tempo real, os algoritmos da nova fábrica de IA, encurtando a distância entre ensaio local e aprovação global.
A empresa também concluiu o programa interno EverydayAI, que treinou 100 % da força de trabalho brasileira e 90 % dos colaboradores mundiais em fundamentos e uso responsável de inteligência artificial. O movimento reforça a meta de transformar cada área da organização em um ambiente orientado a dados.
Com a infraestrutura turbinada, a Roche sinaliza uma tendência de consolidação entre big techs e farmacêuticas para explorar IA generativa em saúde – parceria que a própria NVIDIA destaca como estratégica para o setor. A expectativa é de que resultados tangíveis, como redução de tempo em ensaios clínicos, comecem a surgir já nos próximos ciclos de pesquisa.
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Crédito da imagem: Overbr Fonte: Overbr