Quando a Microsoft gastou US$ 69 bilhões na Activision Blizzard, muita gente apostou que esse seria “o” grande negócio da década. Dois anos depois, a Electronic Arts — dona de FIFA, The Sims e Apex Legends — acaba de elevar a aposta: um consórcio formado pelo fundo soberano saudita (PIF), Silver Lake e Affinity Partners vai desembolsar aproximadamente US$ 55 bilhões (quase R$ 300 bilhões) em dinheiro vivo pela companhia. Se você acompanha tecnologia, cria conteúdo sobre games ou monetiza sites com AdSense e afiliados, essa movimentação muda o tabuleiro onde você atua.
Além de superar de longe qualquer outra aquisição já registrada no setor de entretenimento interativo, o acordo sinaliza que investidores de “fora do círculo tradicional” enxergam nos games a próxima mina de ouro em mídia, publicidade e dados de usuários. A seguir, destrinchamos os números e os próximos passos dessa negociação gigante — e, no fim, analisamos o que realmente importa para jogadores, criadores e profissionais de marketing digital.
Quanto custa comprar a EA?
O negócio avalia a Electronic Arts em US$ 55 bilhões, quantia que será paga inteiramente em espécie. Para quem detém ações da empresa, o valor por papel ficou em US$ 210, prêmio de 25% sobre a cotação de US$ 168,32 registrada em 25 de setembro de 2025 e acima do recorde histórico de US$ 179,01 de agosto do mesmo ano.
O modelo de financiamento mistura capital e dívida: US$ 36 bilhões sairão diretamente dos cofres do trio PIF (que já possuía 9,9% da EA), Silver Lake e Affinity Partners, enquanto US$ 20 bilhões virão em forma de empréstimos, com US$ 18 bilhões já garantidos pelo JPMorgan Chase.
Calendário e governança
O conselho da EA aprovou a proposta, mas o roteiro ainda inclui voto dos acionistas e aval de órgãos reguladores. A expectativa é que tudo seja finalizado no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 da EA. Concluído o processo, a companhia deixará de ser negociada na bolsa e permanecerá com sede em Redwood City, Califórnia, sob a liderança do atual CEO Andrew Wilson.
Como efeito colateral imediato, a EA avisou que divulgará os resultados do segundo trimestre do ano fiscal de 2026 apenas por meio de comunicado escrito, sem as tradicionais conferências online — um recado de que o foco agora é fechar as pontas burocráticas do acordo.
Por que o consórcio quer a EA?
Em nota conjunta, os compradores afirmam que pretendem “acelerar inovação e crescimento” ao combinar capital abundante com redes globais de entretenimento, esportes e tecnologia. Na prática, isso significa potencial para:
Imagem: Internet
- Expandir franquias esportivas como EA Sports FC usando contratos e patrocínios ligados ao PIF, que tem forte presença em clubes de futebol e eventos de e-sports;
- Aumentar produção de conteúdo transmídia (séries, filmes, eventos ao vivo) alavancando a infraestrutura de parceiros da Silver Lake;
- Acessar novos mercados no Oriente Médio e Ásia, regiões onde o consumo de jogos cresce acima da média global.
Além do hype: o que R$ 300 bilhões podem mudar para jogadores e criadores?
Quem acompanha o ecossistema de games sabe que “dinheiro fresco” costuma acelerar lançamentos, mas também traz riscos de padronização e cortes. O PIF, por exemplo, já investe pesado em e-sports e streaming; sua entrada majoritária na EA pode resultar em torneios globais turbinados — ótima notícia para influenciadores que cobrem competições. Ao mesmo tempo, a gestão de um fundo soberano tende a exigir retorno financeiro rápido, o que pode pressionar estúdios por franquias anuais e microtransações mais agressivas.
Para profissionais de marketing digital, o movimento aponta maior integração entre jogos e publicidade segmentada. Plataformas como AdSense podem ganhar novos formatos in-game se a EA abrir APIs e inventário para anúncios dinâmicos, ampliando o leque de monetização para blogs e sites focados em esportes eletrônicos.
Do ponto de vista de WordPress e criadores independentes, prepare-se para ondas de busca por termos ligados a novas licenças, passes de temporada e campeonatos. Conteúdo evergreen sobre guias, cartas e estratégias para Ultimate Team pode ficar ainda mais valioso — mas o mesmo vale para a concorrência, que crescerá na mesma proporção.
No fim das contas, a compra da EA por R$ 300 bilhões não é apenas um recorde financeiro; é uma mensagem clara de que o mercado de games já rivaliza com cinema e TV em receita e atenção. Para quem produz conteúdo ou vende espaço publicitário nesse universo, o recado é simples: o jogo subiu de patamar, e a demanda por cobertura qualificada vai acompanhá-lo.