Imagine acordar em 21 de outubro, abrir o aplicativo do Disney+ para maratonar a próxima série da Marvel e descobrir que a mensalidade ficou mais salgada. É exatamente o que vai acontecer com os assinantes norte-americanos: a Disney divulgou novos valores que entram em vigor na data. Para quem cria conteúdo ou vive de monetização online, esse anúncio é mais do que uma curiosidade – ele sinaliza ajustes de mercado que podem bater à porta de outros países, inclusive o Brasil, e pressionar tanto quem paga pelo serviço quanto quem depende do streaming para divulgar produtos e anúncios.
O movimento também serve de termômetro para profissionais de marketing digital: pacotes com anúncios ficarão mais caros, o que indica um possível reposicionamento do inventário publicitário dentro da plataforma. Se você negocia campanhas ou analisa ROI em múltiplos canais, convém entender os detalhes.
Os novos preços nos Estados Unidos
A partir de 21 de outubro de 2025, os valores para usuários norte-americanos serão:
• Disney+ com anúncios: sobe de US$ 9,99 para US$ 11,99
• Disney+ Premium (sem anúncios): passa de US$ 15,99 para US$ 18,99
• Bundle Disney+, Hulu, HBO com anúncios: pula de US$ 16,99 para US$ 19,99
• Bundle Disney+, Hulu, HBO sem anúncios: reajusta de US$ 29,99 para US$ 32,99
A companhia não revelou mudanças no catálogo ou novos recursos que justifiquem diretamente o reajuste. O foco, segundo executivos em ocasiões anteriores, segue sendo equilibrar investimentos em produções originais com a margem de lucro esperada pelos acionistas.
Efeito imediato (ou não) para o Brasil
Por enquanto, a página oficial de suporte do Disney+ no Brasil não menciona aumento. Aliás, entre 11 e 27 de setembro, a empresa mantém uma promoção que reduz o preço do plano padrão com anúncios para novos assinantes durante quatro meses. Vale lembrar, contudo, que o serviço já ficou mais caro por aqui em junho de 2025, quando apenas o plano padrão com anúncios manteve o valor inalterado.
Numa estratégia típica de streaming, a empresa costuma testar preços no maior mercado (EUA) antes de replicar a medida em outras regiões. Na prática, o silêncio não garante estabilidade tarifária: se o reajuste melhorar a receita por usuário lá fora, a tendência é repetir a fórmula em países onde o dólar forte pressiona custos de licenciamento e infraestrutura.
Contexto: a corrida por rentabilidade no streaming
Disney+, Netflix e Max (ex-HBO Max) atravessam uma fase de consolidação: crescimento de base desacelerou e a missão agora é tornar cada assinatura mais lucrativa. Subir preços e empurrar usuários para planos com anúncios virou padrão do setor. Além disso, bundles viraram ferramenta para manter assinantes “trancados” no ecossistema: ao combinar plataformas, o cancelamento se torna menos provável porque o consumidor perde múltiplos catálogos de uma só vez.
Imagem: Internet
Streaming Premium, Conta Premium? O que essa alta revela sobre o futuro dos assinantes
Se você paga streaming do próprio bolso ou depende dele para veicular anúncios, há três pontos de atenção:
1. Elasticidade do preço chegou ao limite? Reajustes sucessivos testam a paciência do consumidor. A partir de certo patamar, cancelar ou compartilhar senha vira solução. Para criadores que contam com audiência nesses canais, queda de assinantes significa menor alcance potencial.
2. Mais anúncios, CPM incerto. Com planos suportados por publicidade subindo de preço, a Disney sinaliza confiar no inventário. Se isso atrair mais marcas, o CPM pode subir, mas a saturação de breaks reduz a efetividade das campanhas. Quem gerencia AdSense ou mídia programática precisa recalibrar expectativas.
3. Bundles como barreira de saída. A junção de Disney+, Hulu e HBO reforça o modelo “tudo em um”. Para influenciadores e afiliados, isso reduz a probabilidade de o usuário testar serviços concorrentes recomendados em conteúdos patrocinados.
No curto prazo, o Brasil continua imune ao aumento, mas a lógica financeira por trás da decisão não respeita fronteiras. Fica o sinal amarelo: quando a Disney provar que o público norte-americano topa pagar mais, o roteiro costuma se repetir globalmente. Até lá, entender a matemática do streaming ajuda profissionais de marketing e criadores a antecipar mudanças na audiência e nos custos de distribuição de conteúdo.
Em resumo, o reajuste norte-americano é um recado claro: a fase de “preços de entrada” acabou; agora, o streaming busca lucrar tanto com mensalidades quanto com anúncios. Resta saber quanto dessa conta chegará, e quando, ao bolso do usuário brasileiro.