Quando um gigante do entretenimento mexe na tabela de preços, toda a cadeia de valor — do produtor de conteúdo ao profissional de marketing digital — segura a respiração. A Disney anunciou que seu serviço de streaming, o Disney+, ficará mais caro nos Estados Unidos a partir de 21 de outubro de 2025. Embora o reajuste seja, por ora, restrito ao mercado norte-americano, ele sinaliza um movimento que costuma atravessar fronteiras em poucos meses.
Para criadores que dependem de tráfego orgânico, afiliados ou AdSense, mudanças dessa magnitude afetam tanto o bolso do assinante quanto o volume de buscas por “qual streaming assinar”. Em outras palavras, não é apenas sobre pagar mais alguns dólares; é sobre como a nova precificação recalibra a competição por atenção — e por receita publicitária — em todo o ecossistema digital.
Como ficam os preços do Disney+ nos EUA
O reajuste abrange praticamente todos os pacotes vendidos no país, inclusive a modalidade com anúncios, que funciona como porta de entrada para quem prefere pagar menos em troca de assistir a comerciais.
- Disney+ com anúncios: de US$ 9,99 para US$ 11,99 por mês
- Disney+ Premium (sem anúncios): de US$ 15,99 para US$ 18,99 por mês
- Bundle Disney+ + Hulu + HBO com anúncios: de US$ 16,99 para US$ 19,99 por mês
- Bundle Disney+ + Hulu + HBO (versões sem anúncios): de US$ 29,99 para US$ 32,99 por mês
Em termos percentuais, o aumento varia de 12% a 19%, expressivo o bastante para obrigar consumidores a reavaliar pacotes e, por tabela, influenciar métricas de churn (cancelamento) e aquisição de novos usuários.
E no Brasil, existe previsão de reajuste?
Até o momento, a Disney não comunicou alteração de preços para o público brasileiro. A página local de suporte, inclusive, destacou uma promoção válida entre 11 e 27 de setembro de 2025, dando quatro meses de desconto a novos assinantes. Vale lembrar, porém, que o Disney+ já subiu de preço por aqui em junho deste ano, quando apenas o plano padrão com anúncios permaneceu inalterado.
Historicamente, o intervalo entre o reajuste nos EUA e em outros mercados varia de três a nove meses. Netflix, HBO Max (agora só Max) e Amazon Prime Video seguiram roteiro semelhante: testam a nova tarifa em casa, analisam dados de retenção e, se o impacto é administrável, replicam o aumento globalmente.
Imagem: Internet
Contexto mais amplo: rentabilidade às pressas
A escalada de preços está ligada à pressão dos investidores por lucro em serviços de streaming que ainda operam, em muitos casos, no vermelho. Conteúdos originais, licenciamento internacional e infraestrutura de distribuição consomem bilhões de dólares. Ao repassar parte desse custo para o assinante, as plataformas tentam equilibrar o balanço ao mesmo tempo em que exploram formatos híbridos (planos com anúncio) para manter crescimento de base.
Além da Tela: por que esse reajuste interessa a criadores, afiliados e marketeiros
A decisão da Disney funciona como termômetro da “guerra dos streamings” e traz três efeitos práticos:
- Volatilidade na demanda por conteúdo sobre streaming. Toda vez que um serviço altera preços, consultas de busca por “alternativas a Disney+” disparam. Blogs e canais que dominam SEO podem capitalizar picos de tráfego informativo, o que impacta diretamente ganhos via AdSense.
- Mudança na dinâmica de afiliados. Plataformas que oferecem comissões por venda de assinaturas — direta ou indiretamente — devem rever suas taxas de conversão. Quanto maior o valor de entrada, maior a resistência do consumidor, exigindo reviews mais aprofundados e comparativos que eduquem o público.
- Pressão competitiva sobre bundles. Com Netflix testando novas faixas de preço e Max integrando esportes ao catálogo, a estratégia de “agrupar serviços” vira padrão de mercado. Para o usuário, esse modelo pode complicar o cálculo de custo-benefício; para empresas de mídia digital, cria oportunidade de produzir guias que ajudem o leitor a decifrar qual combinação vale a pena.
No curto prazo, o aumento da Disney sinaliza que o bilhete de entrada no universo do streaming premium ficará cada vez mais caro — seja em dólares, reais ou em tempo de tela disputado por anúncios. Para profissionais que vivem de audiência, entender essa curva de reajuste é essencial para antecipar pautas, ajustar estratégias de monetização e, sobretudo, contextualizar o leitor sobre o que realmente está em jogo: a reconfiguração do modelo de negócios do entretenimento digital.