Digital Crimes Unit da Microsoft intensifica caça a hackers
Digital Crimes Unit da Microsoft recebeu os holofotes durante o Microsoft Security Campus Tour ao mostrar como derruba redes criminosas, apoia investigações globais e protege os milhões de usuários que dependem de Windows, Azure e Xbox.
Times multidisciplinares e ações em três frentes
Apresentada pelo diretor jurídico Steve Masada, a DCU funciona como ponte entre tecnologia, direito e segurança pública. Advogados, engenheiros, analistas forenses e especialistas em investigação digital trabalham lado a lado com FBI, Europol e Interpol para:
- Interromper infraestrutura usada em ataques;
- Fornecer suporte jurídico, emitindo mandados e ações civis;
- Orientar empresas e governos em respostas a incidentes.
Masada explica que a unidade monitora centenas de grupos ativos e analisa bilhões de sinais de segurança por dia. Essa visibilidade permite bloquear operações antes que atinjam o público. Parte do trabalho inclui simulações em “salas de guerra”, nas quais equipes parceiras treinam respostas a ataques reais para garantir que “todo mundo tenha um plano”.
Rastreamento financeiro e IA na linha de frente
Além de derrubar servidores maliciosos, a DCU segue o dinheiro. O grupo rastreia carteiras de criptomoedas e transações suspeitas, porque, segundo Masada, “o dinheiro é a melhor pista para encontrar o atacante”.
O advogado sênior brasileiro Richard Domingues Boscovich detalhou uma investigação recente que envolveu milhares de imagens geradas por IA com conteúdo sexual e difamatório. As imagens circulavam em fóruns anônimos graças a chaves de API expostas no GitHub que permitiam abuso de ferramentas da Microsoft. O time identificou desenvolvedores em Hong Kong, Irã, Reino Unido e Vietnã, começando por uma ação civil John Doe e evoluindo para mandados internacionais ao cruzar dados técnicos e financeiros. “Nosso alvo é quem lucra com o dano”, afirmou Boscovich.
Com o avanço da inteligência artificial, o desafio se multiplica: cada modelo generativo pode virar arma de desinformação. A Microsoft aposta em ética, prevenção e colaboração para tornar o crime digital “cada vez mais difícil, caro e solitário”. Um perfil detalhado do trabalho da DCU foi destacado também pela revista Wired, reforçando a relevância global da iniciativa.
Se as big techs querem manter a confiança do mercado, estratégias como a DCU indicam o caminho. Para acompanhar outras iniciativas que moldam os negócios digitais, acesse nossa editoria de Tecnologia e Negócios Digitais e fique por dentro das tendências.
Crédito da imagem: Canaltech
Fonte: Canaltech