Quando a conversa é desempenho de PC, a sigla MT/s costuma separar o “ok” do “uau”. Nesta semana, o “uau” chegou a um novo patamar: a Corsair, em parceria com o overclocker alemão conhecido como sergmann, levou um único módulo DDR5 aos 13 010 MT/s — marca inédita e já homologada pelo HWBot. Para quem cria conteúdo pesado no WordPress, roda campanhas em tempo real ou simplesmente é apaixonado por frames extras nos jogos, esse número chama a atenção: ele mostra até onde os chips de memória podem ir quando nenhum limite (financeiro ou térmico) é imposto.
É claro que quebrar recorde em laboratório não significa, por si só, mudanças imediatas no PC do dia a dia. Mas entender como esse avanço foi possível — e por que ele importa — ajuda a montar um panorama do futuro próximo de servidores, workstations e setups gamer que dependem cada vez mais de largura de banda.
13 010 MT/s: o que exatamente foi alcançado?
sergmann registrou a nova marca utilizando um único módulo Corsair Vengeance DDR5 de 24 GB operando em canal simples. O CPU-Z validou a frequência efetiva de 6 504,9 MHz, que na nomenclatura DDR se converte nos impressionantes 13 010 MT/s. O feito entrou oficialmente no ranking do HWBot, referência mundial em overclock extremo.
Hardware, BIOS e nitrogênio líquido: a receita do recorde
Para manter o sistema estável com um clock tão agressivo, foi preciso combinar:
- Processador: Intel Core Ultra 9 285K (Arrow Lake, 3 nm) limitado a quatro núcleos ativos.
- Placa-mãe: Gigabyte Z890 Aorus Tachyon ICE, conhecida por trilhas de memória reforçadas e BIOS com controles granulares.
- Memória: Corsair CMK48GX5M2X8000C38, perfil XMP 3.0, latências 68-127-127-127-2.
- Resfriamento: nitrogênio líquido, mantendo CPU em 5 °C e assegurando integridade elétrica no DIMM.
Mesmo com tensões relativamente contidas para padrões de overclock extremo (0,751 V no Vcore), o conjunto dependeu de frio intenso para evitar erros de sinal e degradação instantânea dos chips de memória.
Da marca de 12 000 MT/s ao salto para 13 000 MT/s
A escalada foi tudo menos linear. Há poucos meses, saltycroissant bateu em 12 920 MT/s, esbarrando na barreira psicológica dos 13 k. O destrave definitivo veio com a chegada dos processadores Intel Core Ultra 200S e do chipset Z890: ambos trazem controladores de memória mais robustos, capazes de lidar com frequências que, há um ano, eram motivo de piada em fóruns especializados.
Segundo especialistas, passar de 13 000 MT/s para 14 000 MT/s exigirá muito mais do que boa vontade e LN2. A partir desse ponto, integridade do sinal, seleção de ICs e layout de PCB entram em um território de retornos decrescentes — cada MHz extra custa exponencialmente mais em esforço e componentes de elite.
Imagem: Internet
Por enquanto, nada de milagres em jogos ou render
A configuração que bateu o recorde não serve para uso diário. Além das latências altíssimas, o modo canal simples elimina ganhos em cenários reais. Em uma máquina de produção ou entretenimento, um kit DDR5 de 6 000 MT/s com timings ajustados tende a entregar resultados mais consistentes e estáveis.
Além dos Números: quando os 13 000 MT/s saírem do laboratório e aterrissarem no seu setup?
Quebrar recordes sempre parece esporte de nicho, mas tem implicações práticas. Primeiro, os fabricantes aprendem no limite quais materiais, vias de PCB e algoritmos de treinamento de memória funcionam. Esses aprendizados, com o tempo, descem a montanha em forma de firmwares mais maduros, melhor binning de chips e kits “plug-and-play” a 8 000 MT/s ou mais — sem nitrogênio líquido.
Para criadores de conteúdo, um salto real na largura de banda pode reduzir gargalos de exportação de vídeo e acelerar páginas dinâmicas em servidores cheios de plugins WordPress. Já para data centers que processam inferência de IA em CPU, DDR5 ultrarrápida significa menos latência entre lotes de dados, turbocargando a produtividade por watt.
O maior impacto, porém, é estratégico: a cada quebra de recorde, a DDR5 mostra que ainda há fôlego antes da transição para DDR6 em 2027. Isso dá às fabricantes de placas-mãe e controladores tempo para refinar padrões e, quem sabe, popularizar módulos a 10 000 MT/s nas prateleiras comuns. Até lá, acompanhemos os rankings — porque é no laboratório, e não no marketing, que o futuro da memória se escreve.