Imagine pagar uma única fatura e, de brinde, ter acesso aos catálogos inteiros da Netflix, Disney+, HBO Max, Apple TV+ e Prime Video. Foi exatamente esse “combo dos sonhos” que a Claro colocou na mesa ao anunciar o Claro tv+ Streamings por R$ 69,90 mensais. Para quem vive calculando onde cortar gastos sem perder aquela estreia imperdível, a novidade acende um alerta — no bom sentido.
Além de reunir cinco serviços globais, o pacote ainda entrega Globoplay para clientes de banda larga da operadora e segue a tendência dos chamados “super bundles”, aposta recente de varejistas e telcos para reduzir cancelamentos e aumentar o ticket médio. Mas qual é a real economia? E, mais importante, por que as plataformas concordaram em dividir o mesmo guarda-chuva? Vamos aos fatos.
O que vem no pacote Claro tv+ Streamings
• Conteúdo: Netflix, Disney+, HBO Max, Apple TV+ e Prime Video na versão padrão com anúncios (Apple TV+ é a única sem ads).
• Formato: assinatura totalmente digital, sem canais lineares.
• Bônus: acesso ao Globoplay para quem já é cliente de banda larga da Claro.
• Ausência notável: Paramount+ ficou fora do acordo — ao menos por enquanto.
Economia real e regras de fidelidade
Ao somar os preços de cada serviço individualmente, a conta passa facilmente de R$ 120. O valor tabelado pela Claro (R$ 69,90) promete uma redução de até 45% no gasto mensal, algo próximo de R$ 60 de diferença para o consumidor.
A contrapartida está na exigência de permanência mínima de 12 meses. Caso o assinante desista antes, paga multa proporcional ao tempo restante do contrato, prática comum em pacotes promocionais de operadoras.
Por dentro da estratégia da Claro e do movimento de mercado
O lançamento ocorre poucos dias depois de o Mercado Livre revelar o Meli+ Mega — combo que reúne Netflix, Disney+, HBO Max e Apple TV+ por R$ 39,90 até dezembro (e R$ 74,90 a partir de janeiro). A Claro respondeu adicionando o Prime Video (e Globoplay para seus clientes), totalizando seis plataformas.
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Para a operadora, agrupar serviços reduz o churn: quando todas as assinaturas estão numa só fatura, o usuário tende a “pensar duas vezes” antes de cancelar. Para os streamings, o acordo amplia a base de planos com anúncios — alvo prioritário das plataformas em busca de novas receitas publicitárias.
Muito Além do Desconto: o que esse super pacote revela sobre o futuro dos streamings
A união de rivais históricos sob a marca de uma operadora indica que a fase de expansão descontrolada dos streamings entrou em modo sobrevivência. Os serviços perceberam que lutar isoladamente por carteiras já saturadas gera desgaste constante (e caro) com promoções individuais. Bundles distribuídos por telcos e varejistas funcionam como atalho para vários objetivos simultâneos: diluir custo, aumentar audiência dos planos com anúncios e reduzir a onda de cancelamentos em massa que marcou 2022.
Para criadores de conteúdo e profissionais de marketing, o movimento sinaliza maior fragmentação de inventário publicitário — afinal, os planos suportados por ads começam a ganhar escala. Já para o usuário final, a vantagem imediata é financeira, mas com o ônus de ficar “amarrado” por um ano à operadora. Caso o modelo de bundles se consolide, veremos menos guerra de preços entre plataformas individuais e mais disputas entre pacotes competidores, reeditando a velha briga dos combos de TV paga, agora na era do streaming.
No curto prazo, o Claro tv+ Streamings reposiciona a operadora como hub de entretenimento completo e pressiona concorrentes a montar ofertas equivalentes. No longo, pode acelerar a migração das plataformas para modelos híbridos (assinatura + anúncios) e consolidar a ideia de que o futuro do streaming passa, inevitavelmente, por parcerias amplas — mesmo entre empresas que até ontem disputavam cada centavo do seu cartão de crédito.