Cirurgia remota de AVC: robô realiza procedimento inédito
Cirurgia remota de AVC deu um passo decisivo esta semana: médicos da Universidade de Dundee, na Escócia, comandaram um robô que removeu coágulos cerebrais em corpos doados, enquanto um segundo teste foi feito a 6,4 mil km de distância, em Jacksonville, EUA. O ensaio, considerado o primeiro do tipo, pode transformar o tratamento de acidentes vasculares cerebrais ao eliminar barreiras geográficas.
Como o robô replica o gesto humano
O equipamento, criado pela startup lituana Sentante, acopla cateteres convencionais a braços robóticos capazes de mimetizar, em tempo real, cada movimento do cirurgião. Nas duas sessões, quatro cadáveres com fluido que simula o sangue foram operados enquanto especialistas acompanhavam imagens de raios X ao vivo.
A conexão — apoiada por Nvidia e Ericsson — manteve latência de apenas 120 ms, equivalente a um piscar de olhos. Mesmo com esse atraso mínimo, os médicos precisaram de apenas 20 minutos de treinamento para dominar o sistema.
De acordo com reportagem da BBC, o feito abre caminho para trombectomias remotas em tempo real, algo até então restrito à ficção científica.
Impacto para hospitais longe de centros médicos
Hoje, apenas três cidades escocesas oferecem trombectomia convencional. Em 2024, o país registrou 9.625 casos de AVC isquêmico, mas só 2,2% dos pacientes receberam o procedimento. Segundo a neurorradiologista Iris Grunwald, cada seis minutos de atraso reduzem em 1% a chance de recuperação. Ao permitir que especialistas intervenham a partir de qualquer local, o robô pode salvar vidas em regiões sem infraestrutura avançada.
Entre os marcos do projeto:
- Primeira trombectomia robótica remota concluída com sucesso;
- Operação Escócia-EUA com 6,4 mil km entre equipe e paciente;
- Latência média de 120 ms;
- Treinamento médico inferior a meia hora.
Os testes em pacientes vivos devem começar em 2026. Se confirmada a segurança, a tecnologia poderá integrar protocolos de emergência, assim como desfibriladores automáticos se popularizaram nas últimas décadas.
Na avaliação de Edvardas Satkauskas, CEO da Sentante, “o futuro está mais próximo do que imaginamos”. Para empreendedores de saúde digital e desenvolvedores de soluções médicas, o estudo sinaliza oportunidades no mercado de telemedicina de alta complexidade.
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Crédito da imagem: Olhardigital
Fonte: Olhardigital