Quem corre para instalar cada versão nova do Android sabe que o sabor da novidade pode vir com um gostinho amargo. Foi exatamente o que sentiram os donos do Galaxy S25 Ultra, topo de linha da Samsung, ao testar a câmera depois do update para a One UI 8, baseada no Android 16. Um clarão repentino — visível só na pré-visualização, mas suficiente para assustar — aparece ao alternar o zoom de 1x para 5x no modo Retrato.
O problema foi rapidamente confirmado por moderadores da própria Samsung, que prometeram uma correção para novembro. Embora as fotos gravadas não sejam afetadas, a falha pega em cheio um público formado por fotógrafos móveis, criadores de conteúdo e profissionais que dependem de imagens impecáveis para blogs, lojas virtuais ou campanhas no AdSense e afiliados. Se a câmera é o cartão de visitas de um smartphone premium, qualquer falha perceptível derruba a confiança — e vira manchete.
Abaixo, destrinchamos o que se sabe, quais aparelhos já receberam a One UI 8 e o que esse deslize revela sobre a estratégia da Samsung de espalhar recursos de IA por toda a linha Galaxy.
O que exatamente acontece com a câmera do Galaxy S25 Ultra?
• Bug identificado: no modo Retrato, ao trocar o zoom óptico de 1x (sensor principal) para 5x (lente teleobjetiva), surge um “estouro de luz” na tela, como se o aplicativo de câmera sofresse um flash interno.
• Alcance do problema: limita-se à etapa de visualização; a imagem final salva no aparelho não apresenta sobre-exposição nem artefatos.
• Confirmação oficial: moderadores do fórum da Samsung repetiram testes internos e replicaram o erro. A fabricante pediu desculpas e fixou como janela de correção uma atualização de software prevista para novembro de 2025.
One UI 8: novidades que chegaram junto com o bug
• Base no Android 16, com refinamentos visuais, animações mais suaves e menus redesenhados.
• Integração mais profunda da Galaxy AI: tradução em tempo real em chamadas e aplicativos, sugestões contextuais e organização inteligente da gaveta de apps.
• Pacote de segurança de setembro incluso, além de ajustes em aplicativos nativos como Calendário, Lembretes, Quick Share e Good Lock.
Quem já recebeu a atualização
A distribuição da One UI 8 não ficou restrita à linha S25:
• Flagships recentes: Galaxy S24, S23, Z Fold 6, Flip 6 e Fold SE.
• Intermediários avançados: Galaxy A56, A55, A35 e A26.
Imagem: Andri wahyudi
• Novatos de fábrica: os dobráveis Galaxy Z Fold 7 e Flip 7 já saem com a interface instalada.
• Próximo passo: testes internos da One UI 8.5 prometem mudanças visuais ainda mais amplas e opções extras de personalização.
Atualizações em ritmo de IA: quando a pressa cobra seu preço
Por trás de um simples clarão na tela existe uma história maior sobre como as gigantes de tecnologia correm para colocar novos recursos — especialmente os de inteligência artificial — nas mãos dos usuários. A Samsung vem apostando forte na Galaxy AI como diferencial competitivo frente a Apple, Google e fabricantes chinesas. Cada atualização vira vitrine para mostrar traduções em tempo real, sugestões de edição e integração cross-device. Só que, quanto mais complexa a pilha de software, maior a chance de um elo falhar.
No caso do S25 Ultra, a transição instantânea entre sensores com algoritmos de IA ajustando foco, exposição e mapeamento de profundidade parece ter escapado ao controle de qualidade. O resultado é um bug inofensivo do ponto de vista técnico, mas simbólico: atinge justamente a experiência premium que respalda o preço elevado do aparelho.
Para criadores de conteúdo, o episódio reforça duas lições:
1. Ambiente de produção é sagrado. Se você depende do smartphone para fotos de produtos ou cobertura de eventos, segurar o update por uma ou duas semanas pode evitar dores de cabeça.
2. A IA ainda está em fase de lapidação. As empresas precisam coletar dados de uso real para polir algoritmos — e isso significa bugs ocasionais.
Do lado da Samsung, a pressa em levar recursos de IA a aparelhos intermediários é estratégica para fidelizar usuários antes que rivais façam o mesmo. Mas cada falha pública alimenta a narrativa de que “atualizações quebram mais do que consertam”, algo que prejudica a taxa de adoção e, por tabela, o volume de dados que a IA precisa para evoluir.
Quando a correção chegar em novembro, o clarão na tela provavelmente virará nota de rodapé. Ainda assim, ele serve de lembrete de que experiência do usuário continua sendo o fator número um — especialmente em um mercado onde hardware de ponta já não basta e o diferenciador está no software. Se a IA é o futuro da Samsung, garantir que ela não atrapalhe o presente é imperativo.