Imagine um único pavilhão reunindo robôs, healthtechs, agritechs e investidores que, juntos, administram mais de US$ 1 trilhão. Esse cenário não é ficção: é a Expand North Star 2025, em Dubai, onde o Brasil chega com a maior delegação da sua história. Para quem monetiza blogs, cria conteúdo em WordPress ou depende de programas de afiliados, entender esse movimento é estratégico: é ali que soluções de IA, telemedicina e automação podem virar ferramentas — ou concorrentes — de amanhã.
Com 50 startups nacionais oficialmente apoiadas pela ApexBrasil e Sebrae, o país foi promovido a Country Partner do evento. Na prática, isso significa acesso VIP a fundos internacionais, novas rotas de exportação de tecnologia e holofote global num mercado que interliga Oriente Médio, Ásia, África e Europa. Se a sigla BRICS parecia distante do cotidiano de quem produz conteúdo digital, agora ela pode impactar até o plugin que você usa no site.
Expand North Star: ponte global entre inovação e capital
A feira, braço de negócios da GITEX Global, ocorre de 12 a 15 de outubro em Dubai e celebra sua 10ª edição. São 2 mil startups de todo o mundo, além de 1 200 investidores. Entre elas, 40 unicórnios — companhias avaliadas em mais de US$ 1 bilhão sem capital aberto. O ambiente serve de vitrine para as tendências que devem chegar ao mercado nos próximos anos, com a inteligência artificial permeando todas as soluções exibidas.
Brasil em destaque: do status de parceiro oficial à abertura do palco principal
O protagonismo brasileiro foi reforçado por Tatiana Riera, gerente do escritório da ApexBrasil em Dubai, responsável pela palestra inaugural do evento. Segundo Riera, internacionalizar as startups nacionais é crucial: “A região se consolidou como novo centro de inovação e permite alcançar mercados da Ásia ao Norte da África”. A fala ecoa a estratégia de ocupar o espaço geopolítico do chamado Sul Global, reforçando laços dentro do BRICS.
Setores que puxam a fila: saúde, agro e cidades inteligentes
No front da healthtech, a SleepUp usa aplicativo, eletroencefalograma portátil e IA para democratizar o tratamento de distúrbios do sono e doenças neurodegenerativas. Já a Diagnext foca em compressão adaptativa de exames médicos, reduzindo arquivos de 160 MB para 1 MB sem perda de qualidade, algo valioso para telemedicina em regiões remotas.
Do lado do agro, a Promeat leva visão computacional para frigoríficos com o RedSoft, que avalia qualidade de carne na origem — um diferencial para atender à demanda crescente do Oriente Médio por proteína premium. E a Prefeitura de São Paulo levou dez iniciativas locais para atrair investimento estrangeiro e vender a capital como hub tecnológico.
Imagem: divulgação
Tecnologias curiosas e consolidadas que dividem espaço
Além das brasileiras, a feira expõe robôs semi-humanoides como o Tara Gen1 da indiana iHub Robotics, casas flutuantes sustentáveis da Cabinaqua e IA aplicada à análise de couro cabeludo da HairCoSys. Em todos os casos, a inteligência artificial deixou de ser categoria isolada e passou a ser requisito básico para ganhar atenção.
Do Soft Power ao Poder de Mercado: o que a ofensiva brasileira em Dubai significa para você?
Quando o Brasil se apresenta como parceiro oficial de um evento que concentra trilhões em capital, ele envia dois sinais. Primeiro, há maturidade no ecossistema local para competir globalmente; segundo, a disputa por investimentos deixa de ser apenas Vale do Silício vs. Europa e ganha um eixo Sul Global, onde custos e necessidades são diferentes.
Para quem trabalha com conteúdo, marketing ou desenvolvimento, isso se traduz em:
- Novas ferramentas e APIs que podem desembarcar primeiro em mercados emergentes, reduzindo barreiras de preço e aumentando possibilidades de integração em plugins, aplicativos e plataformas.
- Concorrência ampliada: soluções de IA para otimização de imagens médicas ou análise de supply chain no agro podem inspirar produtos SaaS focados em SEO, automação de afiliados ou análise de dados de audiência.
- Oportunidades de exportação digital: se a Prefeitura de São Paulo faz “road show” para atrair capital, criadores independentes podem surfar na mesma onda oferecendo serviços de conteúdo, tradução técnica ou consultoria remota para essas startups que buscam se globalizar.
Em síntese, o movimento em Dubai não é apenas vitrine; é termômetro. Se a inovação brasileira passa a ser cotada lado a lado com unicórnios globais, a próxima grande API que vai turbinar seu site ou a IA que vai otimizar seu funil de ads pode sair de Campinas, Manaus ou Recife — e não necessariamente de Mountain View. Vale acompanhar: a feira termina, mas os desdobramentos para negócios digitais e criadores de conteúdo só estão começando.