Base lunar da NASA ganhará prioridade total na próxima década: a agência norte-americana cancelou a estação orbital Gateway, dividiu o cronograma em três fases de cargueiros e pretende fixar presença humana permanente no polo sul da Lua até 2036. A decisão redistribui verbas, pressiona parceiros privados e coloca Estados Unidos e China em rota direta pela “primeira bandeira” no solo lunar.
Por que a Gateway saiu de cena
Segundo o administrador Jared Isaacman, a estação que ficaria em órbita da Lua tornou-se cara e lenta demais. Mesmo com módulos já em construção no Texas, o projeto foi descartado para concentrar recursos na infraestrutura em solo. Na visão da NASA, cada dólar gasto em órbita atrasa a chegada definitiva ao satélite — e isso abre espaço para que a China avance com sua parceria com a Roscosmos.
A postura reflete a nova diretriz “America First and Leading in Space”, reforçada pelo presidente Donald Trump. Ao priorizar metas tangíveis — habitats, energia e logística na superfície — a agência assume maiores riscos políticos, mas reduz incertezas operacionais. A escolha também sinaliza que plataformas comerciais, como a Starship HLS da SpaceX e o Blue Moon da Blue Origin, serão responsáveis pelos pousos depois da missão Artemis V.
Três fases, 76 lançamentos e US$ 30 bilhões
O plano, conduzido pelo ex-vice-gerente da Gateway Carlos Garcia-Galan, prevê:
- Fase 1 (2028): 21 voos transportando 4 t de cargas iniciais, incluindo o rover VIPER para mapear gelo e minerais.
- Fase 2 (2029-2032): 27 voos, 60 t de estruturas e veículos pressurizados, além de painéis solares, mini-reatores nucleares e escavadoras autônomas.
- Fase 3 (2032-2036): 28 voos, 150 t para erguer módulos habitáveis capazes de sustentar quatro astronautas por mês e iniciar manufatura local.
Cada etapa custará cerca de US$ 10 bilhões — valor alto para a NASA, mas modesto perto do orçamento militar norte-americano. Na prática, a agência aposta que a economia de escala obtida por foguetes reutilizáveis privados reduzirá despesas por quilo enviado à Lua.
Corrida contra a China e reflexos para Marte
Washington teme que Pequim consolide uma base própria, motivada pela recente detecção de Hélio-3, potencial combustível para fusão nuclear. A NASA, portanto, quer chegar primeiro para estabelecer regras de exploração e reforçar liderança geopolítica.
Paralelamente, a agência prepara a missão SR-1 Freedom, prevista para 2028, que testará propulsão nuclear rumo a Marte. Se o reator funcionar, viagens interplanetárias podem ficar mais rápidas e baratas, abrindo espaço para missões humanas ao Planeta Vermelho na década de 2040.
Em nota oficial, a NASA afirma que “os investimentos atuais posicionam os EUA para uma presença sustentável fora da Terra”, mas admite que precisará de “forte cooperação industrial” para cumprir o cronograma apertado.
Os próximos meses mostrarão se a aposta ousada de abandonar a Gateway acelerará ou atrasará a chegada definitiva de astronautas à Lua. Para acompanhar outras análises sobre tecnologia, impacto e tendências, visite nossa editoria de tecnologia e mercado.
Crédito da imagem: Meiobit Fonte: Meiobit