Quem cresceu nos anos 1980 provavelmente lembra da rivalidade entre Atari 2600 e Intellivision. Quatro décadas depois, as duas marcas agora convivem sob o mesmo teto — e a Atari resolveu explorar esse passado de forma, no mínimo, curiosa. A companhia anunciou o Intellivision Sprint, um console retrô que reproduz a estética do original, mas incorpora conveniências modernas como saída HDMI e controles sem fio.
Para donos de TVs 4K, streamers nostálgicos ou criadores de conteúdo que gostam de revisitar clássicos no YouTube, a novidade promete ser um atalho para jogar (e mostrar) títulos históricos sem recorrer a emuladores. Ao mesmo tempo, o preço de lançamento coloca o aparelho em confronto direto com outras “caixinhas da nostalgia” já disponíveis no mercado.
Visual clássico, mas com saída HDMI
Tal como nos relançamentos do Atari 2600, o Intellivision Sprint replica o design de madeira e plástico do console de 1979. A diferença é que, em vez de sinal analógico, o vídeo agora sai por uma porta HDMI, compatível com qualquer televisão ou monitor moderno.
Controles sem fio e cartões de instrução atualizados
Os joysticks mantêm o formato de “controle-remoto” com disco direcional e teclado numérico. Desta vez, porém, eles funcionam sem cabos; basta encaixá-los na base para recarregar. Os famosos cartões plásticos que se inserem sobre o teclado — servindo de guia para cada jogo — também retornam, mas receberam instruções revisadas para facilitar a vida de jogadores de primeira viagem.
45 jogos na memória e expansão via USB-A
Em vez de cartuchos, a Atari embutiu 45 jogos no armazenamento interno. A lista inclui clássicos como Boulder Dash, Astromash, Armor Battle, Sea Battle e o esportivo Auto Racing. A empresa adiantou que será possível incluir mais títulos futuramente, por meio de conexão USB-A, e até usar outros tipos de controles.
Lançamento e valor nos Estados Unidos
O Intellivision Sprint tem chegada marcada para 5 de dezembro nos EUA, com preço sugerido de US$ 149,99 — cerca de R$ 810 na conversão direta de hoje. Curiosamente, o aparelho sairá antes do Intellivision Amico, projeto que enfrentou tantos atrasos a ponto de perder o direito de usar o nome original.
Imagem: Internet
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O lançamento mostra que a Atari aposta em um modelo de negócio híbrido: vender hardware físico para um público emocionalmente ligado ao passado, mas adicionar funções que eliminam o atrito técnico de ligar um console antigo em uma TV atual. A compatibilidade HDMI e os controles sem fio resolvem dois dos maiores “calcanhares de Aquiles” de quem coleciona videogames clássicos: imagem borrada em painéis modernos e cabos curtos que transformam a sala em museu.
Para criadores de conteúdo, o fato de o aparelho já vir com 45 títulos na memória (e possibilidade de expansão via USB) reduz a barreira legal de capturar e monetizar gameplays retro, algo que ainda é zona cinzenta quando se fala em ROMs e emulação. Já para a própria Atari, o Sprint funciona como uma espécie de MVP — produto mínimo viável — para testar o apetite do mercado pelo legado da Intellivision antes de investir em licenciamento de novos jogos ou parcerias mais ambiciosas.
A questão que permanece é a durabilidade dessa onda de reedições. Enquanto o preço de US$ 149,99 parece competitivo frente a consoles mini como NES Classic ou Mega Drive Mini, ele também se aproxima do valor de um Nintendo Switch Lite, que oferece catálogo contemporâneo. A sustentabilidade do Sprint, portanto, dependerá não só do fator nostalgia, mas da facilidade de a Atari ampliar oficialmente a biblioteca sem obrigar o usuário a recorrer a soluções informais.
No fim das contas, o Intellivision Sprint é menos sobre reviver o passado e mais sobre observar como a indústria de jogos continua monetizando memórias, agora embaladas em plástico novo, portas HDMI e baterias recarregáveis. Resta saber se essa combinação de saudosismo e conveniência será suficiente para manter o interesse além do primeiro impacto de “olha, que legal!”.