Em 2020, a Apple trocou os processadores Intel pelos próprios chips Apple Silicon e virou a chave de uma parceria histórica. O que parecia um ponto-final pode se transformar em reticências: segundo a Bloomberg, Intel e Apple voltaram a sentar à mesa para discutir um possível investimento. As tratativas ainda são iniciais, mas levantam perguntas importantes sobre cadeias de suprimento de semicondutores, estratégias de negócios e, claro, o futuro dos dispositivos que usamos — seja para produzir conteúdo em WordPress ou para tocar campanhas de marketing.
Por que essa conversa importa? Primeiro, porque a Intel está numa cruzada para angariar capital e manter relevância frente a TSMC, Samsung e Nvidia. Segundo, porque a Apple domina a narrativa de performance e eficiência energética com o M-series, e qualquer rearranjo na produção de chips pode influenciar preço, disponibilidade de hardware e até como desenvolvedores otimizam seus sites e aplicativos.
Intel sai em busca de capital para continuar fabricando
A Intel atravessa um momento de cortes e reestruturações. Em 2025, a companhia anunciou uma redução de 15 % do quadro de funcionários e engavetou fábricas que abriria na Europa. No mesmo ano, o governo dos Estados Unidos adquiriu 9,9 % de participação na empresa para acelerar a construção da planta no estado de Ohio.
A ofensiva para captar recursos inclui investimentos de US$ 5 bilhões da Nvidia e US$ 2 bilhões do conglomerado japonês SoftBank. A estratégia agora é conversar com várias empresas — e a Apple entra nesse roteiro como potencial parceira.
Um histórico de avanços e recuos com a Apple
A relação entre as duas gigantes não é apenas comercial; é quase simbólica para o Vale do Silício. Por quinze anos, Macs foram sinônimo de processadores Intel. Tudo mudou em 2020, quando a Apple lançou o primeiro Mac com chip M1, fabricado pela TSMC. O ganho de desempenho e autonomia marcou o início de uma nova era, afastando qualquer possibilidade de retorno aos processadores x86 da Intel.
Houve ainda um flerte frustrado na área de modems 5G. A Apple pretendia abandonar a Qualcomm e convidou a Intel para desenvolver um modem sob medida. O projeto não atingiu as exigências de performance e consumo de energia da Apple, levando a Intel a vender seu negócio de modems para a própria Apple.
Imagem: Juli Clover
O que poderia nascer dessa reaproximação
Nenhuma das partes cogita trazer de volta os chips Intel para dentro dos Macs — isso está praticamente fora de questão. O cenário mais plausível seria a Apple recorrer à Intel como fabricante terceirizada para alguns componentes, reduzindo a dependência exclusiva da TSMC. A Intel, por sua vez, ganharia um cliente de peso para justificar seus planos de expansão fabril nos Estados Unidos.
Se o acordo avançar, a Apple continuaria desenhando seus próprios chips, enquanto a Intel assumiria parte da produção física (foundry). Esse modelo híbrido se alinha à estratégia da Intel de abrir suas fábricas para clientes externos, consolidando-se como alternativa ocidental à produção asiática.
Do Coração do Silício ao Seu Blog: por que essa negociação mexe com todo o ecossistema
Na superfície, parece apenas uma troca de cheques entre gigantes. Mas, olhando mais fundo, a conversa sinaliza mudanças relevantes:
- Redução de riscos geopolíticos: ao diversificar a fabricação fora de Taiwan, a Apple diminui o impacto de eventuais tensões na região — algo que pode afetar cronogramas de lançamento e preço de novos Macs, iPhones e iPads usados por profissionais de criação e marketing.
- Precedente para outras big techs: se a Apple confiar parte da produção à Intel, abre precedente para Google, Microsoft e Amazon fazerem o mesmo, remodelando o mapa global de semicondutores.
- Mais competição, possíveis descontos: com TSMC e Intel disputando contratos, a pressão de mercado tende a favorecer negociações de custo, refletindo em hardware potencialmente mais acessível para criadores de conteúdo e anunciantes que dependem de desempenho computacional.
- Impacto em inovação de software: desenvolvedores precisarão otimizar ferramentas tanto para chips fabricados pela TSMC quanto para os vindos das linhas da Intel, estimulando a adoção de padrões mais abertos e eficientes.
Em resumo, a simples possibilidade de Apple e Intel unirem forças novamente reforça como o setor de chips é hoje o eixo central da indústria de tecnologia. Mesmo que o acordo não saia do papel, o movimento expõe a corrida por autonomia produtiva e mostra que, no fim das contas, quem cria conteúdo, gerencia campanhas ou roda aplicações na ponta sempre acaba sentindo o efeito de cada ajuste nos bastidores do silício.