Pesquisa da UFSM expõe como o “efeito paredão” aprisiona o calor em Balneário Camboriú
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Em um estudo divulgado recentemente, climatologistas comprovaram que arranha-céus acima de 120 m criam cânions urbanos capazes de elevar a sensação térmica nas ruas centrais de Balneário Camboriú (SC) a impressionantes 40 °C, mesmo com sombra abundante.
- Em resumo: prédios bloqueiam 78,9 % do horizonte, reduzem a insolação diária para 4 h40 min e impedem a passagem do vento do mar.
Cânions urbanos: quando o céu desaparece
Os pesquisadores mediram o Sky View Factor (SVF) com câmeras de 238° e processaram os dados no software RayMan Pro, um método citado em reportagens da MIT Technology Review sobre ilhas de calor. Quanto menor o SVF, menos radiação infravermelha escapa durante a noite – e maior é o desconforto térmico ao amanhecer.
“No ponto Emasa, os edifícios tapam 78,9 % do céu; onde um bairro comum recebe 11 h de sol, o cânion urbano recebe menos de 5 h”, detalha o relatório da UFSM.
Planejamento urbano pode reverter o calor extremo
Barreiras verticais são conhecidas por travar a ventilação costeira – o chamado efeito pare-de. Cidades como Singapura e Toronto têm driblado o problema com corredores verdes, telhados ajardinados e recuos obrigatórios entre torres, estratégias recomendadas pela Organização Meteorológica Mundial para mitigar ilhas de calor. Balneário Camboriú, segundo os autores, precisará adotar soluções semelhantes para enfrentar verões mais longos e úmidos previstos pelos cenários do IPCC.
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Crédito da imagem: Divulgação / UFSM